O que esperar de Marcos Assunção?

Leia o post original por Luiz Nascimento

O volante Marcos Assunção, de 37 anos, firmou contrato com a Portuguesa e vestirá a camisa rubro-verde até o final do ano. As negociações se estenderam por meses, sendo que o experiente jogador foi analisado por ao menos três técnicos diferentes. Cada retomada das conversas encontrava um novo empecilho para que o acordo não acontecesse. Com a chegada do novo diretor de futebol, Rodrigo Fabri, o caso teve um desfecho.

O atleta estava desempregado há dois meses, sendo que o último clube pelo qual jogou foi o Figueirense. Na equipe Santa Catarina, Assunção sagrou-se campeão estadual. Ele deixou a equipe após a saída do técnico Vinicius Eutrópio. A promessa ao chegar no alvinegro era de encerrar a carreira no clube. Antes de atuar no time de Florianópolis, o jogador ficou distante dos campos para se recuperar de uma contusão no joelho. Ele vinha de temporadas pelo Santos e pelo Palmeiras.

 

Marcos Assunção pode agregar experiência e, inclusive, liderança em um grupo de jovens atletas que sofrem para tirar a Lusa de uma posição desesperadora. A imaturidade do plantel, desde o início do ano, apenas faz agravar a falta de qualidade técnica dos jogadores. Outro ponto a ser levado em conta é o poder da bola parada. A equipe lusitana simplesmente não tem nenhum batedor de faltas e muito menos um cobrador de escanteios.

Por outro lado, a contratação não inspira unanimidade. Marcos Assunção, repito, tem 37 anos e as principais reclamações nas passagens por Santos e Palmeiras foram a falta de condições físicas durante uma partida. Criticou-se muito que ele era um excelente nome para a bola parada, porém, um jogador a menos com a bola rolando. Além disso, é preciso analisar a real condição do atleta com relação à contusão que teve no ano passado. Esse é um fator que pode pesar, e muito, em uma Série B de Campeonato Brasileiro na qual a força física supera a qualidade técnica.

Na Lusa, assim como no futebol de um modo geral, tem-se o costume de atirar pedras antes de a pessoa ter oportunidade de apresentar um trabalho. Portanto, convém esperar e ver qual a real situação do jogador. No entanto, vale ressaltar que a realidade atual do clube não permite grandes erros. Ainda mais nesta preciosa parada do campeonato para a disputa da Copa do Mundo. É preciso, como a torcida disse à exaustão e como se espera que esteja acontecendo, reformular o futebol para lutar não apenas contra a queda, mas por uma vaga na Série A.

 

Uma preocupação que tenho, particularmente, é com relação ao acerto que foi feito. Durante o longo período de conversas com Marcos Assunção, ouviu-se muitas justificativas para que o acerto não acontecesse. Dentre elas o alto salário pedido pelo atleta e outros privilégios. Como o clube peca demais em transparência, os boatos acabam ganhando força e não se sabe o que realmente é verdade. Portanto, é preciso ficar muito atento. Porque tanto a situação financeira quanto a realidade futebolística da Lusa não permitem altos salários e benefícios injustificáveis.

Sinceramente, sou cético quanto a contratação de Marcos Assunção. Eu, particularmente, não faria o negócio. Creio que as chances de ser um novo Dodô são grandes. No entanto, reconheço que se as coisas forem bem feitas, honestas e ele estiver em condições, pode contribuir. Porém, isso depende de um elenco e de um esquema muito bem definidos. A Lusa não pode ter um peso a mais em campo. Pelo contrário, precisa de soluções. No bolso e na bola. Que a diretoria da Portuguesa realmente esteja trabalhando com seriedade nessa parada da Copa do Mundo.