Líderes e capitães

Leia o post original por Mauro Beting

Sócrates, o Doutor honoris-causa brasileiro, não o zagueiro grego Sokratis, dizia que líder era o cara quer batia o pênalti quando o time perdia ou empatava, e deixava o companheiro realizar a cobrança quando o time estava vencendo.

Isso ele aprendeu também no primeiro jogo da semifinal do SP-83. O Palmeiras vencia por 1 a 0 quando houve um pênalti no final do Dérbi. Sócrates, como capitão alvinegro, tomou a bola, a ajeitou na marca de pênalti, e virou de costas para a meta adversária. Quando olhou para os 10 companheiros de Corinthians. Todos virados de costas para a meta palmeirense ou de cabeça baixa. Ninguém esteve com o colega e capitão, que bateu o pênalti no ângulo e empatou o clássico.

Entre os que não quiseram ver Sócrates defendendo todo o time estava Emerson Leão, melhor goleiro daquela campanha que daria no bi paulista. Experiente, campeão do mundo, cheio de personalidade, Leão não viu a cobrança no Morumbi. Como também não veria os 10 minutos finais do BR-02. Já treinador, pelo Santos, expulso que estava de campo, não teve coração e nem peito para suportar a virada corintiana na final do campeonato nacional de 2002. O Timão de Parreira estava a um gol do título. Pressionava de todos jeitos até Elano empatar e, logo depois, Leo marcar o golaço do título.

O primeiro que o santista via desde 1984. O primeiro que Leão não teve coragem para ver de tanto sofrimento como treinador.

O mais experiente técnico não teve coração para suportar tamanha pressão.

Como o capitão brasileiro em 2014 sentou-se sobre a bola e não viu os pênaltis contra o Chile, no Mineirão. Como Romário, em 1994, quase morreu para bater o pênalti que chutou na trave e no fundo da rede do italiano Pagliuca. Como o também campeão Bebeto até hoje celebra o fato de não precisar cobrar o quinto pênalti depois daquele desperdiçado por Baggio, logo depois.

Não importa que o líder e capitão Thiago Silva não viu os pênaltis. Outros líderes ali estavam. Outros capitães assumiram a bronca e braçadeira.

Ele não é menos importante por isso. Nem seria mais se assumisse tudo e um pouco mais.

A reação é individual. O problema técnico-tático brasileiro é coletivo.

Não é por isso que o Brasil não foi bem. Não seria por isso que o Brasil seria eliminado.

Tem muito mais coisa importante para discutir.

Tem muito mais coisa para importar e se importar na Seleção.