Córdoba: Brasil não é mais o mesmo e Colômbia merece ir longe

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A Colômbia merece ir mais longe na Copa do Mundo. O time dirigido pelo argentino José Pekerman mostra um equilíbrio de qualidade e experiência internacional para chegar ao título. Por outro lado, a seleção brasileira não é a mesma de outros tempos. Esta é a opinião do ex-goleiro Óscar Córdoba sobre o confronto entre Colômbia e Brasil, nesta sexta-feira em Fortaleza, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

Comentarista de tevê, Córdoba acha que o time de seu país tem jogadores “que estão jogando em bom nível, cada um em sua função”. Ele não acha que os colombianos pensam em fazer marcação individual em Neymar. “Sanchez e Aguilar podem fazer isso por zona”, disse. E apontou a principal falha da equipe de Felipão: “Falta entendimento, triangulações. Os jogadores parecem não confiar uns nos outros. O Neymar fica com a iniciativa pessoal”.

Reserva de Higuita na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, Córdoba acha que o grupo atual – dirigido pelo argentino José Pekerman – é superior ao lendário time de Valderrama, Rincón, Asprila, Perea, Escobar e Valência. Por um motivo: experiência internacional.  “Nossa seleção só tinha praticamente um jogador com boa experiência europeia, que era o Faustino Asprilla. O Rincón estava no Palmeiras e o Valderrama não tinha ido muito bem na França”, lembra.

Em 1993, a Colômbia de Valderrama e companhia goleou a Argentina por 5 a 0 no estádio Monumental, em Buenos Aires. Por este desempenho, o time colombiano foi aos Estados Unidos no ano seguinte com status de favorito. A falta de experiência no futebol europeu foi, para Córdoba, a causa principal do fracasso da Colômbia, eliminada ainda na primeira fase.

“Achávamos que já tínhamos brilho próprio e nos sentimos muito favoritos, candidatos ao título. Descobrimos que a disputa era muito mais forte”, afirmou.

Em comparação com a nova geração que vem mostrando o melhor futebol da Copa do Mundo do Brasil, a equipe do técnico Francisco Maturana perde exatamente porque não estava acostumada com grandes decisões internacionais.

“Nesta seleção que vai enfrentar o Brasil, todos estão acostumados a jogar este tipo de partida. Conhecem as Ligas da Europa, brigam por títulos e isso dá outra experiência. Temos atletas como Guardado (Fiorentina), Bacca (Sevilha) e Jackson Martinez (Porto), que são novos e experientes”, argumentou Córdoba.

James (fala-se Raime) Rodríguez é a novidade desta turma. O próprio Córdoba admite que o desempenho do atual artilheiro do Mundial (5 gols) não estava cotado entre as estrelas da seleção da Colômbia. “Ele pode muito mais ainda em campo. É um garoto que deixou o país com 16, 17 anos, e foi jogar na Argentina, Portugal e, agora, na França. Ele está pegando maturidade “, falou.

A ausência do atacante  Falcão Garcia, operado no joelho, pode ter ajudado  Rodriguez a assumir um papel de protagonista na equipe. “Não só ele, como outros atletas. O Sanchez está jogando de um jeito que nunca tínhamos visto antes. Ele é o cabeça do meio de campo”, apontou o ex-goleiro campeão da Libertadores pelo Boca Juniors.

Em entrevista no programa Boa Noite Copa, do canal Fox Sports, Córdoba revelou ainda que o respeito imposto pelo Brasil no passado já não é o mesmo. “Não é o Brasil de tempos atrás. Quando pequeno, eu torcia pelo Brasil. Fomos atraídos para o futebol por Zico, Pelé, Tostão, Rivellino. Hoje não temos mais tantos talentos como este e isto passa a sensação de que é possível derrotar o Brasil”.