Ao insinuar complô contra Brasil, Felipão repete discurso usado em clubes

Leia o post original por Perrone

Em meio à crise enfrentada pela seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari reforçou seus ataques à arbitragem no Mundial. E insinuou a existência de um complô contra a seleção brasileira na Copa do Mundo. O discurso é semelhante ao adotado pelo treinador em momentos adversos nos clubes que ele dirigiu.

“Se vamos ser campeões, eu não sei. Se não querem, tudo bem. Mas a arbitragem tem de ser igual para todo mundo. Se existe algum complô, e eu não estou dizendo que existe, esse complô é contra o Brasil. Está incomodando alguém que a gente seja hexacampeão”, disparou o treinador após a vitória nos pênaltis sobre o Chile, nas oitavas de final.

Ao ouvir o técnico falar em complô contra sua seleção, impossível não lembrar de algumas queixas semelhantes quando ele treinava o Palmeiras. Em 2011, por exemplo, após uma derrota no Brasileirão por 2 a 1 para o Atlético-M/G, ele soltou: “O Palmeiras pensa que vamos ganhar jogando só em campo, mas estão ganhando de nós fora de campo”. O alviverde terminou o Nacional na 11ª posição.

No mesmo ano, no Campeonato Paulista, após ser eliminado nas semifinais pelo Corinthians, Felipão afirmou após o jogo: “O Corinthians escolheu o campo, escolheu o juiz, jogou com onze contra dez e precisou dos pênaltis. É natural, foi premeditado. Ele tem um dossiê de erros contra o Palmeiras”. O técnico se referia ao árbitro Paulo César de Oliveira. Felipão insinuou que o sorteio que definiu o juiz da partida foi armado. Não é demais lembrar que o ataque foi na direção de Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista e hoje vice da CBF. Ele foi um dos responsáveis pela contratação de Scolari para dirigir a seleção brasileira.

Em 2012, Felipão voltou a sugerir favorecimento ao Cointhians após derrota do Palmeiras para o Santos por 2 a 1 no Brasileirão. “Eles têm que definir se vão só prejudicar a, b ou c. Basta prejudicar uma vez um time, muda tudo. Quando prejudica dez vezes o Palmeiras, não muda nada”. Na ocasião a CBF, para quem Felipão trabalha hoje, havia trocado o comando da arbitragem após erro contra o alvinegro.

Em todas essas situações, as queixas do técnico ganharam no noticiário espaço que provavelmente seria dedicado aos defeitos apresentados pelos times de Felipão.