Colômbia não é café com leite

Leia o post original por Mauro Beting

A Colômbia joga e deixa jogar. Joga muito e tem deixado jogar pouco, dever dizer.

Sim. Atuou contra Grécia em má jornada, superou Costa do Marfim não mais que razoável, e despachou Japão desesperado e fragilizado.

O Uruguai já não tinha Suárez. E era um time envelhecido

Todos os jogos com muita torcida a favor. Febre amarela nos estádios.

Todos eles com boas partidas da Colômbia. Todos eles.

Talvez tenham faltado rivais mais qualificados. Mas sobrou a mais qualificada Colômbia. Ainda que sem Valencia para marcar no meio-campo. Ainda que sem Falcão García para marcar os gols de todos os cantos em todos os campos.

Disse Oscar Córdoba, goleiro da Colômbia daquele time que encantou em 1993 e decepcionou na Copa de 1994, quando perguntei no Fox Sports qual era a melhor seleção cafetera:

– Aquele time tinha muito menos experiência internacional. Rincón acabara de chegar ao Palmeiras. Asprilla estava bem no Parma. Valderrama havia atuado na França. E só.

Agora tem gente há anos na Europa, como Yepes. Titular em bom nível há seis anos na França como o ótimo goleiro Ospina. Armero bem. Zapata e Zúñiga bem também.

Cuadrado fez bela temporada na Fiorentina. É sonho do Barcelona. James Rodríguez desde os 17 jogou na Argentina, Portugal e França. Tem apenas 22. Interessa ao Real Madrid. E a meio mundo que pode ser dele.

Por que não?

A Colômbia pode vencer o Brasil. Bonito. Pode até perder do mesmo jeito, por ser time que respeita, mas não teme. Por ser equipe competitiva, mas que se atira por DNA.

Com a experiência e milhagem adquirida na Europa.

E sem um fardo que aquele time incensado por Pelé e pelo planeta bola pelos 5 a 0 na Argentina, em Buenos Aires, em 1993, e incinerado nos EUA em 1994 pela eliminação prematura, tinha – e é péssimo ter:

Favoritismo.

Aquela Colômbia chegou como sensação a 1994.

Esta, no máximo, era tida como classificada para a segunda fase. Quando enfrentaria Itália, Inglaterra ou Uruguai. E cairia.

Pois é.

Eles seguem. E podem seguir se o Brasil não se acertar.

O bom para a Seleção é que a Colômbia deixa jogar mais que o Chile.

O ruim para o Brasil é que eles também jogam mais.