Revolução ou tradição*

Leia o post original por Antero Greco

Felipão segue a escola dos treinadores que costumam definir o time em coletivos – aqueles ensaios finais antes de uma partida. Em geral, os jogadores que recebem o colete de titulares são confirmados para o desafio seguinte. É fato, método de trabalho que segue há muito tempo.

Se mantiver o modus operandi (ou o jeito de fazer, só que citar expressão latina é mais chique do que em português ou inglês), a mexida para o jogo de amanhã com a Colômbia vai restringir-se à entrada de Paulinho no meio-campo. Assim, o volante recupera espaço perdido para Fernandinho, mas agora para cobrir a ausência de Luiz Gustavo. Essa foi a dica passada pelo técnico na primeira parte do treino de ontem na Granja. Opção, portanto, pela tradição, por postura ortodoxa.

Com tal formação, nada muda no roteiro seguido pelo Brasil desde os amistosos com Panamá e Sérvia até as quatro batalhas já disputadas no Mundial. A defesa tem Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo (se a dor na perna não passar de susto), no meio ficam Paulinho, Fernandinho, Oscar e Hulk, com Fred e Neymar à frente. Time com a mesma movimentação que todos estão carecas de ver, até torcedores novatos que frequentam estádios para se verem nos telões e fazerem selfies.

A pista positiva veio, porém, em dois momentos: primeiro, no bate-bola de aquecimento, no qual o meio foi composto por Fernandinho, Ramires (“substituto” de Luiz Gustavo) e Hernanes, na vaga que seria de Fred. Depois, na segunda metade do coletivo, quando entraram Maicon (Daniel Alves na reserva) e Henrique (saiu Fred, de novo, e contrariado pra chuchu).

Ali se viu uma equipe alterada, com três zagueiros (Henrique à frente, a lembrar Edmilson na campanha do penta), meio mais fechado e Neymar a deslocar-se dentro da área. O desempenho foi bom, ou ao menos saiu da rota habitual.

Felipão deu a entender, em conversa com jornalistas, que quer a equipe diferente, em astral e estratégia, no desafio das quartas. Seria com tais modificações? Viria a revolução, a quebra de paradigmas? Ou os testes só reforçaram a convicção de que não deve mexer? Resposta amanhã, no Castelão.
Fair-play. Na crônica de anteontem, falei de ansiedade na seleção. Dentre alguns exemplos de tensão, citei o soco do diretor de Comunicações da CBF, Rodrigo Paiva, no chileno Pinilla, sábado, em Belo Horizonte. Por aquele gesto, recebeu da Fifa suspensão preventiva de um jogo. Considerei branda a punição, se comprovada a culpa.

Paiva, ontem, voltou ao assunto. Admitiu o incidente, mas reafirmou que se tratou de reação a agressão prévia de Pinilla na ida aos vestiários. Promete apresentar vídeo que comprova a versão e pode processar o jogador, que o chamou de “delinquente” e outros adjetivos.

Como neste espaço livre e democrático não há campanha a favor ou contra ninguém, registro a defesa. O resto é com a Fifa e a Justiça.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quinta-feira, dia 3/7/2014.)