Brasil foi bem no 1° tempo; erros de Felipão e Maicon transformaram a classificação tranquila em dramática

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Brasil 2×1 Colômbia

O Brasil jogou no 1° tempo seu melhor futebol na Copa do Mundo.

Conseguiu marcar a saída de bola e aumentou o volume de jogo ofensivo.

Depois do intervalo, recuou, sofreu pressão e não soube aproveitar o desespero do adversário após sofrer o golaço de David Luiz.

Felipão tem culpa.

O andamento do confronto exigia a saída de Fred, o pior do time, mas o treinador o deixou em campo, creio, por fidelidade, pois taticamente e tecnicamente não havia motivo.

A teimosia facilitou a vida do sistema ofensivo colombiano e transformou a classificação que se encaminhava tranquila em dramática.

O árbitro tinha que expulsar Júlio César no lance do pênalti.

Em suma, o otimista pode ter esperança de ver a seleção jogando melhor pelo que realizou no 1° tempo, o pessimista deve estar achando que nada mudou depois de ver o segunda parte do confronto, e o realista está cheio de dúvidas sobre o que esperar do futuro.

Thiago Silva, David Luiz e Fernandinho foram os melhores do Brasil.

Avenida Zuniga 

O superestimado time colombiano, com seus laterais de qualidade razoável no apoio e duvidosa nos desarmes, e zaga mediana, precisa se defender e contra-atacar.

Por isso perdeu o duelo no meio de campo contra time que derrotou.

Pékerman, por isso escalou Ibarbo na esquerda, em frente ao Armero.

Não fez o mesmo do outro lado e viu Brasil deitar e rolar onde joga o Zuniga.

Felipão, correto

Maicon no lugar de Daniel Alves, alteração óbvia por causa da má fase nos passas e marcação do então titular, Fernandinho no vaga de Luiz Gustavo, pois a Colômbia tem meias rápidos e era necessário escalar o volante mais veloz, e Paulinho formando a dupla com ele.

O segundo tinha que ser alguém que gosta de avançar.

Ao ver os treinamentos, Felipão optou pelo do Tottenham na disputa contra Ramires e Hernanes.

O andamento do jogo mostrou que o técnico tinha razão.

Muito superior

O Brasil dominou o 1° tempo.

Ainda não marcou a saída de bola como diante da Espanha na Copa das Confederações, mas finalmente conseguiu pressionar a saída de jogo de maneira competente.

Os atletas de frente também ficaram mais próximos uns dos outros.

Oscar apareceu para ajudar na criação ao invés de permanecer sempre do lado direito, próximo dos volantes, para proteger os laterais.

O time teve mais posse de bola, situação previsível porque a Colômbia só sabe se defender e contragolpear (jogou assim em todas as partidas da fase de grupos, inclusive contra equipes bem mais fracas e só mudou diante do Uruguai  que decidiu ficar atrás se defendendo até tomar o gol), e também pela melhora no trabalho xcoletivo do sistema ofensivo.

O gol de Thiago Silva após a cobrança de escanteio, uma das especialidade de Felipão, deu ao time a tranquilidade e confiança necessárias para colocar em prática a proposta definida antes do confronto.

Hulk, na esquerda, fez festa na avenida Zuniga.

Não fez gol porque tentou resolver sempre na base da força, ao invés de com jeito, na hora de finalizar.

Paulinho aproveitou o fato de a Colômbia estar encurralada e aparaceu bem na criação.

Neymar destoou. Não deu sequências aos lances e insistiu nos dribles quando eram desnecessários. Fred pouco apareceu.

Os colombianos tiveram uma grande oportunidade no contragolpe puxado por James Rodríguez, mas Thiago Silva interceptou o passe de Cuadrado que deixaria Teo Gutierrez cara a cara com Julio Cesar.

O lance foi exceção por ter sido o único perigoso dos colombianos e devido a mais um motivo.

Fernandinho ganhou com sobras o duelo contra James Rodríguez e Cuadrado foi o melhor do sistema ofensivo da Colômbia antes do intervalo.

Por que recuou tanto?

A Colômbia retornou do período de descanso com Ramos, atacante, no lugar de Ibarbo.

Felipão tinha a solução no banco. Bastava colocar Ramires no lugar de Fred, reforçar o meio de campo para manter a Colômbia longe da área, deixar Neymar livre para os contra-ataques e pedir ao Hulk, quando possível, para ajudá-lo.

Mas o treinador viu o adversário crescer, tomar conta do campo de ataque e pressionar.

Em nenhum momento a seleção brasileira tentou retomar a marcação na saída de bola.

Agravou o erro

David Luiz tirou o coelho da cartola ao balançar a rede em bonita cobrança de falta quando restavam 22 minutos e os acréscimos.

Estava desenhada a classificação tranquila, apesar da superioridade da Colômbia naquele momento.

Tinha que colocar Hernanes para ocupar espaço do lado direito, o mais vulnerável, no meio e fazer os lançamentos longos.

Fred, sumido do apito iniciar ao final, precisava sair.

A Colômbia, com dois gols de desvantagem, obviamente correria riscos em busca dos gols.

Mas o treinador decidiu preservar o centroavante.

Desconfio que decidiu mantê-lo por acreditar que ele faria o gol e ganharia moral.

Quase pôs a classificação a perder por causa da fidelidade.

Era para expulsar

O erro de Maicon na saída de bola terminou com Rodríguez sendo derrubado por Júlio César.

O goleiro merecia a expulsão, mas a fraca arbitragem amarelou.

Rodríguez, aos 31, cobrou bem, diminuiu a desvantagem de seu time no placar e a Colômbia transformou a tranquila classificação brasileira em dramática.

Demorou

Só depois disso Felipão tentou corrigir os buracos no sistema defensivo.

O fez de baciada.

Substituiu Hulk por Ramires aos 37, Paulinho por Hernanes aos 40 e logo depois Neymar, que se machucou e saiu chorando, por Henrique.

Para a sorte do treinador, nenhuma das bolas divididas por cima sobraram para seus adversários.

A única em que isso aconteceu a Colômbia fez o gol bem anulado porque Yepes estava impedido.

Notas

Júlio César – 6 – Não fez milagres ou cometeu grandes erros.

Maicon – 5 – Bem melhor que Daniel Alves, errou no lance em que o Brasil sofreu o gol.

Thiago Silva – 9,0 – Um gigante. Marcou o gol, salvou o Brasil no contra-ataque colombiano perigoso do 1° tempo e ganhou muitas bolas por cima.

David Luiz – 9,5 – Além da excelente atuação defensiva, marcou o golaço de falta na hora difícil do jogo.

Marcelo – 6,0 – Fez a sua melhor apresentação, na Copa do Mundo, na parte defensiva.

Fernandinho – 9,0 – Marcou o jogador considerado por muitos o melhor do Mundial até agora. Enquanto não ficou sobrecarregado, quase anulou James Rodríguez.

Paulinho – 6,5 – Bem no 1° tempo, caiu de rendimento depois do intervalo. Precisava de ajuda para marcar e teve menos que a necessária.

Hulk 6,5 – Engoliu o Zuniga no 1° tempo, mas não transformou o vareio em gols ou chances claras. Foi bem na parte defensiva até se cansar.

Oscar – 6,5 – Outro que merece destaque pelo que fez antes do intervalo e caiu de rendimento depois.

Neymar – 4,0 – Individualista e pouco produtivo.

Fred – 2,0 – Nulo na parte ofensiva e quase inútil na defensiva, só fez algo útil na hora de marcar o escanteio do adversário.

Ramires – 5,0 – Entrou para fechar o lado direito do meio de campo. Jogou pouco, mas fez o que foi pedido.

Felipão – 4,0 – Fez alterações óbvias no time titular e falhou na leitura de jogo.

Hernanes e Henrique atuaram alguns minutos com discrição e não podem ser avaliados.