Primeira grande atuação do sistema defensivo garante a Alemanha na semifinal; jogo diante da França foi equilibrado

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

França ox1 Alemanha

A Alemanha chegou às quartas-de-final da Copa do Mundo por causa do bom trabalho do sistema ofensivo.

E disputará a semifinal graças à competência na marcação.

Diante da França, o maior mérito do time de Joachim Löw foi saber se defender.

Fez muito bem aquilo que não havia conseguido, até hoje, na competição.

Destaco as atuações de Lahm, ‘deslocado’ para a lateral-direita, Hummels, Kroos e Neuer.

Aos franceses fica o consolo de terem descoberto a base de um time que pode conquistar o Mundial futuramente.

Atuaram bem, o jogo foi equilibrado, mas um lance, por cima, em cobrança de falta, e a bela apresentação do sistema defensivo germânico encerraram o sonho do bicampeonato no país que derrotaram no único título que possuem.

Foi um grande jogo!

Treinadores corretos

Didier Deschamps acertou ao deixar Giroud fora e escalar Griezmann.

Com o centroavante, Benzema fica obrigado a atuar pelos lados do ataque e a voltar para ajudar o meio de campo na marcação.

O time perder tento na parte ofensiva quanto na defensiva.

A presença do atleta do Real Madrid no comando do ataque e a do veloz Griezmann de um lado, mais Valbuena do outro, aumenta a movimentação do sistema ofensivo e facilita a marcação no meio, pois o reserva no confronto anterior e titular no de hoje tem mais facilidade para ajudar na marcação.

Joachim Löw disse antes e durante a Copa do Mundo que não usaria Lahm na lateral.

Desde o jogo contra Portugal usou dois zagueiros, Boateng e Howedes, pelos lados da defesa, opção que funcionou muito bem diante de Portugal e mal no restante da competição.

Teve que ceder por causa dos problemas físicos de seus jogadores.

E o time melhorou.

Nenhuma seleção tem tantos volantes de alto nível quanto os germânicos nem um lateral competente com o Lahm.

Propostas

A França atuou no 4-3-3.

O trio de volantes contou com Pogba, na direita e Matuidi, na esquerda, que ajudaram na marcação e na criação.

Cabaye priorizou a marcação em frente ao quarteto da defesa formado pelos laterais Debuchy e Evra, e dos zagueiros Sakho e Varane.

Os alemães formaram o 4-2-3-1 com Khedira e Schweinsteiger de volante, Müller, Kroos e Ozil na linha de três e Klose adiantado.

Quando Kroos se posicionou mais atrás, o esquema se transformou no 4-3-3 com as participações de Özil e Müller

Os gauleses iniciaram as tentativas de desarmes na linha que divide o gramado, enquanto os germânicos pressionaram a saída de bola.

Os comandados de Joachim Löw ganharam a disputa na região central do campo.

O lado esquerdo do sistema defensivo francês, com Mautidi, Evra e um dos atacantes – Valbuena e Grizmann inverteram algumas vezes de lado e o que estava naquele precisava ajudar mais – deu espaços, mas os alemães não aproveitaram.

A posse de bola do time de Löw deu a impressão que a equipe dominou o confronto.

Mas na prática, apesar da vitória por 1×0, a situação não foi bem assim.

França criou mais  

O gol de Hummels, aos 17, de cabeça, após o cruzamento de Kroos em cobrança de falta, fez a França adiantar o sistema defensivo.

Varane perdeu a disputa individual, por cima, contra o zagueiro do Borussia Dortmund.

Os franceses haviam levado perigo duas vezes antes de ficarem em desvantagem.

Mesmo perdendo o duelo no meio, continuaram mais perigosos.

Criaram mais chances depois, falharam nas finalizações e especialmente no último passe (o que deixa o companheiro em boa condição para balançar a rede).

Papéis opostos

A França voltou do intervalo pressionando a saída de bola e a Alemanha esperando no meio de campo para tentar roubá-la ali e contra-atacar.

As seleções trocaram de papéis.

Os ‘Bleus’ tiveram mais posse de bola ofensiva e encontraram muita dificuldade para ultrapassar o bloqueio defensivo germânico.

Lahm, na direita, fortaleceu a marcação na lateral e Howedes, do outro lado, fez sua melhor apresentação.

Foram muito exigidos porque Valbuena e Griezmann, que atuaram em cima deles, eram acionados o tempo todo.

Alterações

Aos 23, Schurrle substituiu Klose.

A troca lógica diante das circunstâncias do confronto, pois reforçou o contragolpe, principal opção da Alemanha para fazer 2×0, e o veterano estava cansado.

Cinco minutos depois, Cabaye deu lugar a Remy e Sakho, machucado, ao Kolscieny.

Schurle, no contragolpe, ficou de frente para Lorris e perdeu a chance de garantir a classificação do seu time.

Aos 41, Deschamps trocou Valbuena por Giroud.

Abriu mão dos lances de velocidade pelos lados para ter outro centroavante na área.

Apostou nos cruzamentos.

Schurle, aos 42 , desperdiçou mais uma oportunidade após o contragolpe.

Castigados pelos forte calor, os jogadores erraram mais passes e lances simples nos minutos finais.

Resultado justo

O árbitro não entrou no cai-cai dos jogadores e fez bem ao não soprar nenhuma dos pênaltis que pediram.

O resultado foi consequência exclusivamente das ações dos atletas.

Por isso, não o questiono.