Sem choro nem vela*

Leia o post original por Antero Greco

O hotel onde a turma do Estado está hospedada, aqui em Fortaleza, fica à beira-mar. Do meu quarto, se abre panorama maravilhoso, de céu, sol e água em harmonia. Combinação linda de anil e dourado, azul e amarelo, que dá uma certa nostalgia… Talvez porque as cores me remetam a Brasil e Colômbia, adversários de hoje, e porque a Copa está perto do fim. Mais nove dias de festa, oito jogos decisivos, e bye-bye pra sempre.

Bom, divagações piegas à parte, vamos ao ponto, como zagueiro uruguaio quando não está para brincadeira e mira as canelas dos atacantes. O Castelão verá, no começo da noite desta sexta-feira, um dos finalistas. Como? Se eu espero que seja a seleção? Claro, meu amigo. Apesar de alguns sonsos pensarem que a “Imprensa” torce contra a equipe nacional, é evidente que vitória dos rapazes de Felipão alegrará a todos. Ora, pois.

A dúvida a respeito do sucesso no desafio diante dos colombianos comporta várias questões. Conseguirá? E como? Qual futebol a moçada vai mostrar? O da Copa das Confederações, que “carimbou o passaporte” para o Mundial? Ou o da bola meio murcha que tem desfilado até agora? Este time, no espaço de um ano, transformou-se em robustos pontos de interrogação e fica difícil cravar favoritismo.

Felipão prometeu, dias atrás, time diferente, na postura e no modo de jogar. Ensaiou alterações no treino de anteontem. Porém, na entrevista de ontem, deu a entender que a novidade se restringe ao retorno de Paulinho no meio-campo, no lugar de Luiz Gustavo, que amarga suspensão. Mexidas, se houver, só durante a partida, e de acordo com a necessidade. Portanto, se apega à tradição e não parte para revolução, alternativas que abordei na crônica anterior.

Em miúdos: o treinador aferra-se às convicções, espera que o planejado apareça, apega-se à qualidade dos jogadores. Não por acaso, defendeu Fred, ao reafirmar que confia no ressurgimento dos gols. Bom, para animar, lembro que Paolo Rossi, em 1982, passou em branco nos quatro primeiros jogos. Daí, fez três contra o Brasil, dois na Polônia, um na final e se tornou campeão e artilheiro. Fred já tem um…

A seleção seguirá adiante se Oscar desabrochar, como ensaiou na estreia contra a Croácia; se Daniel Alves acertar cruzamentos; se Paulinho for o mesmo homem-surpresa de tantas vezes no Corinthians e agora desaparecido; se James Rodríguez e Cuadrado forem anulados; se Hulk acertar as bombas; se Neymar estiver inspirado. Ou seja, tem muito “se” aí.

Há perigo iminente para o Brasil, embora vislumbre duelo menos tenso do que o de sábado com o Chile, em Belo Horizonte. Pois a Colômbia é mais técnica, no que isso implica de bom (permite jogar) e ruim (incomoda, vai à frente, ousa pressionar).

O Brasil contou com a sorte (e com Julio Cesar) em Minas e se safou. Mas não se afronta o azar sem riscos. Daí, não haverá choro nem vela. Por prevenção, melhor apelar para o bom futebol.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, dia 4/7/2014.)