Brasil continua favorito e Felipão pode inventar à vontade

Leia o post original por blogdoboleiro

Dentro da seleção brasileira, este argumento pode não pegar. Mas fora da concentração na Granja Comary, em Teresópolis, começa a ganhar corpo o raciocínio: o que a seleção brasileira fizer daqui para frente na Copa do Mundo será lucro.

 Afinal, Neymar está fora. Alguém vai criticar os atletas se forem eliminados pela Alemanha? O motivo está pronto: o melhor não jogou.

Já na manhã deste sábado, a mídia tomou duas atitudes distintas. Uma parte apontou o dedo para o colombiano Zúñiga, autor do tranco que fraturou a terceira vértebra lombar de Neymar. Uma das publicações de cunho popular no Rio de Janeiro (custa apenas R$ 0,60 cada exemplar), estampou a foto do número dez do Brasil sofrendo no gramado e, no alto à direita, colocou um retrato pequeno do jogador da Colômbia, com o título “Foi ele”.

Outra parte passou a considerar o Brasil a equipe mais fraca entre os semifinalistas, mesmo ainda sem saber quem vai disputar a outra vaga na final, além de Alemanha e Brasil. Sem Neymar, o Brasil desceria para o mundo dos coadjuvantes, argumentam. Além disso, a seleção precisaria jogar a semifinal com 110% do potencial.

Esta história tem outras variáveis que entram em campo também. O Brasil continua favorito. Joga em casa. Terá apoio dobrado da torcida. Se quiser, pode assumir esta postura de “underdog” (a zebra dos americanos), que os filmes de Hollywood tanto amam armar no cinema. A pressão para superar o trauma de 1950 já se foi. Agora, trata-se de ser campeão mesmo quando ninguém acredita no seu potencial.

Mas não é necessário ter esta sensação de ter virado primo pobre da festa.

A seleção com Neymar não jogou tão bem quanto se torcia desde o primeiro jogo na Copa. A rigor, Neymar foi decisivo contra a Croácia e Camarões, quando marcou dois gols. Bem marcado, ele atraiu adversários sem que o resto da equipe pudesse armar jogadas alternativas com outros atletas. Agora, o desafio é ter uma equipe sem um astro, alguém que atraia a bola.

Dá para fazer. O técnico Luiz Felipe Scolari adorava ganhar torneios com equipe fechadas na defesa, rápidas no contra-ataque e loucas para arrancar conquistas contra todas as previsões. Na última, em 2012 pelo Palmeiras, ele faturou a Copa do Brasil com um time que tinha Betinho no ataque.

A partir deste domingo, Felipão deve dar uma mostra do que pode fazer. Se quiser ser conservador, coloca Willian no lugar de Neymar, torce para que o substituto consiga articular as jogadas com Oscar. Luis Gustavo volta mesmo. Dante, que tem experiência no jogo alemão, entra na vaga de Thiago Silva. E só.

Só?

O gostoso para quem acredita na seleção brasileira pós-Neymar são os exercícios de imaginação. Já pensou Felipão armar um 3-5-2 com Dante, Henrique e David Luiz, Maicon, Paulinho, Luiz Gustavo, Ramires e Marcelo, Oscar e Fred? Não, talvez seja muita imaginação. Ficar sem um defensor na reserva pode se tornar um risco. Ou não.

Mas dá para apostar no menino que tem alegria nas pernas para tentar jogadas rápidas em cima dos zagueiros grandalhões da Alemanha. Bernard poderia mostrar a que veio. E por que não Jô na vaga de Fred, com mais altura para o jogo aérea? Afinal, alguém precisa dar trabalho a Hummels no ataque e na defesa. Ele anda fazendo gols e isso não se deixa fazer.  

O quadro mudou, as possibilidades são infinitas. Falta um craque na seleção? O time vai ter que provar que a safra atual tem qualidade, mesmo com todo mundo – ou quase – achando o contrário. A decisão de Neymar de ir embora para o Guarujá ajuda a mudar o assunto. Agora é a hora de quem ficou.

Um último argumento em favor do Brasil é a Alemanha. O lateral-direito Rafinha, que joga e tem amigos no Bayern de Munique, contou ao Blog do Boleiro que os jogadores da Alemanha temem o Brasil. “Eles ficam vendo a torcida nos jogos e já imaginam o que é entrar em campo e jogar contra esta galera apoiando o Brasil, cantando o hino daquele jeito. Eles respeitam muito isso”, disse.

Pense: o que Joachim Löw deve estar meditando agora?Então, o 12º jogador terá que jogar como nunca para a seleção brasileira lembrar que “sim, ela pode”. E olha que o pessoal da torcida ganhou um novo integrantes de respeito: Neymar.