Seleção brasileira com Neymar-dependência na Copa do Mundo? Eu não vi isso

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

“O campo fala”.

A frase de Tite usada para explicar a escalação dos jogadores que comandou nos tempos de Corinthians, serve para explicar a razão de o Brasil não depender de Neymar para vencer.

O melhor jogador brasileiro, de longe o mais técnico do time, ainda não se transformou, entre as quatro linhas, no líder técnico que a seleção precisa.

Acredito que isso acontecerá nos próximos anos.

Por enquanto, ele é o atleta com mais chances de resolver jogos em lances individuais, pois é muito acima da média, mas não achou a medida para transformar a enorme qualidade em jogo coletivo.

Várias vezes não entendeu, durante a Copa do Mundo, a hora de tocar a bola e o momento de tentar driblar.

Nem conseguiu ter a leitura de jogo para tomar decisões que simplificassem a sua vocação de ser quem desequilibra os confrontos mais difíceis e decisivos.

A fraca apresentação contra a Colômbia, em especial após o Brasil abrir dois gols de vantagem e o adversário, que tem o veterano e pesado zagueiro Yepes, dar muito espaço para o contra-ataque, mostra isso.

Ele e Fred foram os piores do Brasil,

As dificuldades e as oscilações de Neymar durante a Copa do Mundo (ele foi bem melhor na primeira fase que no mata-mata) são normais.

Se trata de um atleta jovem, sem experiência no torneio,  extremamente pressionado por ser o protagonista da seleção anfitriã, que está aprendendo, dentro de campo, no dia a dia.

Apenas para fazer uma comparação, Maradona aos 21 anos de idade disputou o Mundial de 82 (fez aniversário 3 meses depois do encerramento da competição), não foi bem e acabou sendo expulso contra o Brasil.

No Mundial seguinte, carregou o time nas costas até o título.  A Argentina dependia dele. A chance de ser campeã sem Diego simplesmente não existia.

Neymar tem apenas 22 anos.

Vai evoluir, aprender a liderar, melhorar a leitura de jogo, aumentar o controle emocional e canalizá-lo para se agigantar nos grandes jogos e fazer suas principais apresentações.

Por isso tudo, a seleção brasileira não é dependente do jogador do Barcelona para vencer seus jogos.

A tal da ‘Neymar dependência’ não existe.

Sem ele, obviamente o Brasil perde seu melhor atleta na parte técnica, o cara que tem mais chance de desequilibrar em lances individuais, o que joga futebol diferente, capaz de encantar e gera enormes preocupação nos rivais.

Mas a seleção pode encarar qualquer equipe do mundo caso trabalhe bem na parte tática e seja escalada de acordo com as virtudes e defeitos dos adversários.

Lógico que a chance de vencer o Mundial, com ele, era maior.

Mas a ausência no próximo confronto pode ser superada.

Aliás, a questão maior continua sendo o fato de o Brasil não ter conseguido apresentar na Copa do Mundo noventa minutos de futebol consistente na parte coletiva.

Oscilou nos 5 jogos que disputou.

Se não for mais regular diante dos germânicos, especialmente na parte defensiva, precisará de sorte para chegar à decisão.

A presença de Neymar não resolveria os dilemas coletivos.