Brasil 1 x 7 Alemanha. Conta de mentiroso?

Leia o post original por Mauro Beting

Foi a maior derrota em 100 anos de Seleção.

Foi a maior derrota em um jogo eliminatório em fase decisiva desde 1930.

Nenhum anfitrião de Copa levou sete gols.

Não teve Maracanazo 2.0. Foi um Minerazen alemão.

Uma vitória espetacular da Alemanha de Klose, que superou Ronaldo na artilharia de Copas na Belo Horizonte que viu nascer o Fenômeno para o futebol.

Na BH que viu morrer o sonho do hexa. A ilusão de enfim dar a volta olímpica mundial no Brasil.

Agora, pela Fifa, só em 3046.

Derrota do Brasil assim em Copas, só em 8950.

Não cabia no gerador de caracteres da Fifa a lista dos sete gols alemães.

Aos 10 minutos, quando David Luiz trombou com Fernandinho e deixou Muller abrir o placar (mais sozinho que Felipão depois da tunda mineira), a escalação geográfica de Bernard começou a desmoronar.

Em vez de fechar o meio-campo e compactar a marcação, espelhando taticamente o 4-3-3 alemão (por vezes um 4-2-3-1 com o avanço de Kross), o Brasil espetou todas as bolas que não deram certo.

Mais 12 minutos, Fernandinho não deu o bote, toda a zaga bobeou, e Klose ampliou depois de receber de Muller, em lance de churrasco da zaga brasileira.

Seis minutos e 39 segundos depois, estava 5 a 0 Alemanha: no terceiro gol, trocaram bolas sem serem incomodados Ozil e Lahm até a furada de Muller ser aproveitada pelo Kroos totalmente livre; no quarto, Fernandinho perde a bola, Kroos e Khedira trocam passes dentro da área até o segundo gol do meio-campista; no quinto, Hummels fez o belo lance, Ozil recebeu impedido, e Khedira fechou o primeiro tempo assombroso alemão. Tenebroso brasileiro.

Com Neymar talvez o Brasil tivesse feito mais na frente em novo W.O. de Fred e apenas cinco minutos finais de bola de Oscar.

Mas, na defesa brasileira…

Tudo que a Alemanha atacou os rivais com os três de frente (Muller, Klose e Ozil) que marcaram como volantes, e com os três homens do meio que criaram como atacantes (Khedira, Schweinsteiger, Kroos), o Brasil teria se perdido do mesmo jeito como Felipão não se achou o jogo todo.

O Brasil até melhorou na segunda etapa com Paulinho e Ramires, nos lugares do assustado Fernandinho e do esforçado Hulk. Errou menos passes, botou a bola um pouco mais no chão, finalizou – mas parou em Neuer. Ainda assim, com a assistência passiva e bovina canarinho, Schurrle ampliou aos 23, fez outro belo gol aos 33, e só deu mole quando Oscar diminuiu o placar, aos 45. Mas jamais o vexame. Placar que poderia ser maior não fosse Júlio César.

Ao menos ninguém do grupo se perdeu em explicações e chororôs e mimimis. Todos reconheceram a superioridade alemã sem lamentar a ausência sensível de Neymar e, mais que tudo, de outros 10 titulares.

Não é para caçar bruxas e bagres.

É hora para refletir a respeito da Seleção e do futebol brasileiro.

Mas, ainda assim, é sempre dever lembrar que caiu pavoroso o semifinalista da Copa. Não um time qualquer.

Ainda que o Brasil tenha jogado pouco, e ainda menos sem Neymar, não era para perder assim.

Mesmo que para a Alemanha.

(E que ninguém nos leia. A Alemanha pode jogar mais que isso…)