Hora de mudar

Leia o post original por celsocardoso

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Os problemas do futebol brasileiro têm sido discutidos à exaustão.  A falta de qualidade técnica, de estrutura, de organização…  O movimento Bom Senso F.C. que o diga! Não raramente fui questionado por leitores e telespectadores por conta das críticas. “Por que você não vai morar na Europa, Celso Cardoso, já que tudo lá é melhor?”.  Pois é!

A soberba do futebol brasileiro nada tem a ver com a realidade que vemos. Há muito o Brasil está longe de ser o melhor do mundo. Se antes tínhamos craques que compensavam com o talento individual a falta de organização e senso de conjunto, hoje nem isso existe mais. Alguém vai dizer: “Tem o Neymar”. Verdade! Um jovem de 22 anos, bom de bola, mas que ainda não ocupa um espaço entre os três melhores do mundo. A propósito, quando foi que um jogador brasileiro recebeu a Bola de Ouro como melhor do planeta? Kaká em 2007?  E lá sem vão sete anos.

O Brasil parou no tempo enquanto os rivais evoluíram, buscaram novas fórmulas, aliaram ofensividade à disciplina tática, se organizaram ainda mais. Os alemães, por exemplo, assim como os espanhóis – mas com eficiência ainda maior – olharam para a base, reformularam a estrutura do futebol do país, obrigando os clubes a terem gestão responsável e compromissada. Trabalharam em cima de uma filosofia, de planejamento.  Joachim Low, o técnico, foi mantido mesmo não chegando ao título da Copa de 2010 ou da Eurocopa em 2008 e 2012. Está lá há oito anos, sem contar o tempo como auxiliar de Klinsmann à frente da seleção na Copa de 2006 e hoje técnico da seleção norte-americana.

Voltando os olhos pra cá, inevitável pensar no futuro. E fica a pergunta: o que esperar? Considerando os homens que estão no poder do futebol brasileiro, sobra desalento. Basta ver o que Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF, fez no Campeonato Paulista e na Copa São Paulo. Ele e José Maria Marín representam o que há de mais anacrônico no futebol, justamente quando o que mais precisamos é de um sopro de modernidade.

Se você ainda acredita que Deus é brasileiro talvez encontre fé. Mas talvez seja melhor admitir que há tempos não somos o país do futebol.  E neste caso, em vez de ajuda divina, o que vale é trabalho sério e comprometido. Tirar o olho do próprio umbigo e reconhecer que o outro é melhor.