Felipão, um Barbosa “7 x 1″ mil vezes mais culpado

Leia o post original por Milton Neves

 

Felipao“Milton Neves, tá vendo? Encheram o meu saco durante 64 anos e agora tomaram de sete dentro de casa. Bem feito e agora chupem, seus ingratos e injustos”!

Este foi o teor do e-mail que “recebi” direto do céu do saudoso goleiro Barbosa, o nosso “Nelson Mandela do Gol”.

Observem que até hoje, mesmo com a comunicação à época movida a lenha, a caça dos “culpados” de 1950 parecia eterna.

Mas agora acabou.

E foram absolvidos o “frangueiro” Barbosa, o “burro” (e foi mesmo) Flávio Costa que não escalou Nilton Santos no lugar de Bigode, Juvenal, que não deu cobertura ao lateral do Flu no gol de Ghiggia, e Jair Rosa Pinto e Zizinho que achavam barbada a final contra o “freguês” Uruguai.

Mas agora não se fala mais nisso, após os inacreditáveis sete gols que tomamos da piedosa Alemanha no Mineirão.

Se não tiram o pé a coisa seria na base de 10 ou 12.

E se 1950 sai de campo começa a caça pelos fracassados e culpados de 2014.

Aguardem que muito jogador fará vazar coisa ruim em dias, semanas ou meses.

O tal jogador de “convocação arrependida” que foi crucificado publicamente por Felipão não ficará quieto.

E se 1950 durou 64 anos, 2014 já é o jogo que jamais terminará.

Mas sem um Barbosa e sim com um Felipão para eterno Cristo.

Experiente e sabendo do tamanho da bronca perante a história, convocou aquela inesquecível coletiva de imprensa na última quarta-feira.

Tão patética quanto os inacreditáveis 7 a 1.

Poupado por 96,27% de perguntas adocicadas, deve ter pensado em absolvição ao deixar a sala de imprensa com seus calados assessores e um Carlos Alberto “Dona Lúcia” Parreira incrivelmente infeliz.

Não, jamais haverá absolvição.

Perto de Felipão, Barbosa virou um “Gandula da Culpa”!

E nosso treinador-herói do Japão responderá negativamente nos compêndios esportivos da história e nos corações partidos dos brasileiros por goleada ainda maior no “confronto” Japão x Mineirão.

Merecido, Felipão, taticamente, sua deficiência maior, errou demais.

Para quem já engessou a perna do lateral Arce para enganar o técnico adversário, por que após o segundo gol alemão não mandou o Julio Cesar “se contundir” por uns cinco minutos e estancar a hemorragia?

Fosse boxe ou UFC o árbitro faria o que Felipão não fez: parar o confronto!

E a falta de coragem ou sensibilidade ao não tirar o cansado, machucado, estropiado e pendurado Neymar contra a Colômbia depois dos 2 a 0 com o gol de David Luiz?

Tivesse tirado o comum Neymar do jogo, obviamente ele não teria sido “assassinado” pelo Zúñiga.

E se não bastassem os motivos acima, havia também o fato de que Neymar jogava muito mal desde o Chile.

Parreira me disse ao vivo na Band que Neymar não saiu “porque era perigoso a Colômbia empatar ou virar” sem ele no time.

Ora, os dois sábios do panteão da bola da seleção estavam ainda com medo da Colômbia com 2 a 0 no placar, metade do segundo tempo e jogando em casa!

Zagallo, na final de 98, também pensando como carreirista, preferiu perder com Ronaldo doente do que jogar com o já escalado e inteiro Edmundo.

Por fim, ao telefone, Brito-70 e Rondinelli, o “Deus da Raça”, me disseram que Felipão, também ex-zagueiro camisa 3, ao tirar David Luiz da quarta-zaga e colocá-lo torto na direita, o fez jogar com as chuteiras trocadas: a esquerda no pé direito e a direita no pé esquerdo.

E como escrevo na sexta-feira ainda não sabia se Felipão, ex-técnico da seleção, já pediu sua demissão.

Algo inexorável.

E José Maria Marin, velha raposa política, certamente deu um tempo para poupar o treinador e depois cravar o clássico “foi exonerado a pedido”.

Mas isso é de menos.

O que será demais teve como cenário o Mineirão.

Foi o jogo dos 7 a 1 que fez Felipão perder feio para sua história com um placar negativo muito maior de 98% em 2014 a 2% de 2002!

É a vida!