Em nome da recuperação da seleção, cartolas retomam guerra contra Lei Pelé

Leia o post original por Perrone

Em nome da recuperação da seleção brasileira após sua pior derrota em Copa do Mundo, dirigentes da CBF, de Federações Estaduais e de clubes querem atacar uma velha inimiga: a Lei Pelé.

O sinuoso caminho traçado pelos cartolas para tirar a seleção da lama é mudar a legislação para que os clubes formadores fiquem mais protegidos, como nos tempos em que existia o passe, extinto com a Lei Pelé. O argumento é de que hoje empresários têm facilidade para tirar os meninos dos clubes e levar para o exterior. Essa saída prematura prejudicaria o time nacional.

“A seleção depende de categoria de base forte nos clubes. Qualificando a base vamos revelar um novo Neymar ou um novo David Luiz, mas hoje temos uma dificuldade muito grande para formar atletas. Ninguém quer formar porque estamos perdendo jogadores a toda hora. Temos até os atletas que se naturalizam por outros países. Os clubes também são responsáveis porque reclamam de falta de ética, mas um tira jogador do outro. Precisamos alterar a Lei Pelé para combater isso. Temos que incluir artigos para proteger os clubes”, disse Vilson Ribeiro de Andrade, chefe da delegação da seleção brasileira na Copa do Mundo e presidente do Coritiba.

A tese defendida por parte dos dirigentes é que a definição do técnico da seleção fica em segundo plano diante da necessidade de se mexer na Lei Pelé. A alteração, dizem, permitiria uma mudança na estrutura do futebol brasileiro que facilitaria o trabalho de qualquer treinador escolhido para comandar a seleção.

A batalha, no entanto, não será fácil. O Bom Senso FC, movimento que cuida das reivindicações dos jogadores se aproximou de Dilma Rousseff e vai acuar ainda mais os cartolas, já acuados com pedidos de CPI na Câmara e no Senado para investigar supostas irregularidades na CBF. Os requerimentos tinham sido neutralizados pela bancada da bola antes da Copa, mas voltaram à pauta depois da derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha.

Nesse cenário, a cartolagem reza para que o time comandado por Felipão não tome outra pancada da Holanda neste sábado, na disputa pelo terceiro lugar do Mundial. Um novo fiasco aumentaria a pressão sobre dirigentes da CBF.