Osmar de Oliveira

Leia o post original por Mauro Beting

Não morre do coração quem viveu com o coração do doutor. Eu não me engano, o coração do Osmar é corintiano.

Poucas vezes vi alguém mais corintiano. Mais coração. Me recuso a acreditar que ele tenha morrido disso. Por mais que ele se recusasse a parar de fumar. Ele viveu demais. Haja coração.

Sou testemunha ocular e olfativa. Viagem São Paulo-Miami, ele passou pela imigração e deixou tudo comigo. Só para sair correndo para fumar fora do aeroporto.

É puro Osmar. Puríssimo doutor. Quem primeiro me chamou para participar de um programa de TV para falar de futebol quando eu não tinha nem seis meses de coluna. Colega de PSN, Record e Band. Craque pela capacidade de curar ossos de quem não podia pagar. Mestre de ajudar outras lesões de pessoas. Sem preço. Sem conta.

Por isso foi o médico que foi. O grande narrador de belo gol gritado. O ótimo comentarista que subia o tom quando passava o coração corintiano do ponto. O grande companheiro de ótimas histórias. O eterno apaixonado por estar em campo. Curando ou comentando. Cuidando ou narrando.

De tanto cuidar de todos ele se descuidou. Quer dizer, ele sabia o que estava deixando de fazer. Ele pedia na padaria o cigarro que desse doenças. Ele não estava nem aí. Queria fumar como queria fazer de tudo. Da medicina ao esporte. Do controle antidoping ao futebol. Do Parque São Jorge a Itaquera.

Gozava rivais. Mas no bom humor que tinha. Aceitava as gozações. Pela boa pessoa que é.

Pelo grande companheiro que chega ao céu para ficar nas nuvens. De fumaça, claro. Para ficar mais perto dos craques pelos quais torceu, jamais distorceu. Ainda mais claro.

Para ter a certeza absoluta de que um coração de torcedor não para.

Não para, não para, não para.