Última derrota pode forçar Marin a decidir pela demissão de Felipão

Leia o post original por blogdoboleiro

A derrota para a Holanda por 3 a 0 deixou a seleção brasileira no limbo e vai forçar o presidente da CBF, José Maria Marin, pensar com mais cuidado se vai mesmo acatar a sugestão de Marco Polo Del Nero de manter Luiz Felipe Scolari no comando do time do Brasil. Em campo, o selecionado ajudou a complicar de vez a situação da atual comissão técnica.

Não era o que Marin queria.

Nos últimos três dias, José Maria Marin vinha consultando presidentes de federações e aliados. Ele queria sentir a disposição dos interlocutores sobre o que fazer com o comando técnico da seleção brasileira. O instinto do político que foi parlamentar, dirigente partidário e governador de estado fala mais alto nestas horas. Marin vai anunciar na semana que vem o que decidiu.

Ele vai seguir o que Marco Polo Del Nero quer?

O presidente da Federação Paulista de Futebol vai suceder Marin na CBF em abril do ano que vem. Os dois dirigentes são aliados e amigos. Del Nero disse publicamente, duas vezes em dois dias, que quer a manutenção de Luiz Felipe Scolari e a comissão técnica que trabalhou na Copa do Mundo.

Esta postura é coerente com o que o dirigente de São Paulo disse antes do começo do Mundial. Em entrevista à Fox Sports, Marco Polo afirmou no final de maio: “Se o Scolari quisesse, eu renovaria o contrato dele antes mesmo do Mundial”.

Será?

Como são políticos, Marin e Del Nero se comportam como tal e fazem do discurso um exercício de dissimulação. Eles sabem o que vão fazer. Mas falam e agem como se ainda tivessem dúvidas. Marco Polo Del Nero disse neste sábado, antes do jogo Brasil x Holanda, que quer a continuação de Felipão, mas que “a decisão é do José Maria Marin”.

Marin dizia que ainda não tinha chegado a uma decisão. Garantiu que estava pensando apenas na partida disputada em Brasília. A dupla foi à concentração do Brasil, veio com o time no mesmo ônibus. Marin acompanhou Felipão até o vestiário. Voltou e beijou o capitão Thiago Silva.

Em campo, o time deu novo vexame, mostrou fragilidade técnica e tática. Não conseguiu responder com bom desempenho o apoio da torcida no estádio Mané Garrincha. Os dois últimos confrontos viraram vexames e colocaram em perigo até a reputação de atletas que apareceram como grandes promessas de uma geração carente de talentos.

Por enquanto, vale o mistério do presidente da CBF.

Uma história: quando assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin já tinha a intenção de demitir o então treinador do Brasil, Mano Menezes. Mas ele esperou a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres. “Se eu mexo agora e a seleção for mal, a culpa será minha. Se espero, terei opções na frente”, disse Marin ao Blog do Boleiro, em maio de 2012.

O raciocínio do político Marin era este: se Mano ganhasse a medalha de ouro, ele poderia manter o treinador no cargo. Se o desempenho fosse da prata para baixo, Marin teria o motivo para mudar sem ser criticado por isso. Para piorar, o dirigente sentiu indecisão por parte de Mano. “Ele nem tinha uma capitão definido”, reclamou o presidente ao então diretor de seleções Andrés Sanchez, aliado do técnico.

Quando demitiu os dois, Mano e Andrés, Marin ouviu Marco Polo Del Nero e escolheu uma dupla imbatível: Carlos Alberto Parreira para coordenador e Luiz Felipe Scolari na função de técnico. Dois campeões mundiais, dois nomes capazes de absorverem críticas e servirem de escudo.

Mas os 7 a 1 para a Alemanha foram devastadores até para o poder de absorção de Parreira e Scolari. Daí as consultas de Marin. Daí a postura de Del Nero, garantindo Felipão. As duas possibilidades, demissão ou manutenção, estão no ar.

Ou estavam antes da nova derrota. Perder por 3 a 0 para a Holanda coloca mais pressão sobre Marin. As vaias no final do jogo indicam a falta de paciência do torcedor brasileiro com o que viu nos dois últimos jogos. Para ele, deu. Para Felipão, ainda tem caldo. O técnico avisou que o compromisso dele com a CBF está encerrado e que ele espera a decisão de Marin.

Não disse adeus. Só um até logo.