As lições da Copa passaram pelo Canindé

Leia o post original por Luiz Nascimento

… assim como na seleção brasileira, resta saber quando mudarão!

Termina a Copa do Mundo no Brasil. O torneio que tanto poderia deixar benefícios à população teve como um dos principais legados a própria maneira de ver o jogo da bola. Os pentacampeões foram humilhados e colocados de joelhos frente ao profissionalismo no futebol. Os que nunca chegaram perto de conquistar títulos surpreenderam, montaram times competitivos, derrubaram campeões e escreveram a própria história. Alguns grandes mostraram preocupação em adaptar o material não tão especial que tinham à disposição e fizeram um Mundial digno. Já os gigantes… Ah, os gigantes… Aprenderam com as decepções do passado, acolheram a humildade, trabalharam com seriedade e foram coroados pelo merecimento. Por isso são gigantes.

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Sim, o merecimento sagrou-se campeão na terra onde o merecimento não existe no futebol. Vide CBF e STJD. Paradoxal, irônico, infame. Em todos os casos, quem encarou os desafios de forma profissional acabou bem sucedido. Os pequenos, vistos sempre como buchas de canhão, mostraram que a falta de opções pode ser superada com um trabalho sério. E os que há anos tratam o futebol de forma prepotente e amadora acabaram por desmoronar. Os deuses da bola demoraram a dar aos engravatados do “país do futebol” a recompensa pelo despreparo, pelo amadorismo e pela forma suja (e cê-bê-efeana) de tratar o esporte. Realidade essa que nós, lusitanos, sentimos na pele há anos.

Recomeça a Série B do Campeonato Brasileiro. Terça-feira (15), às 19h30, a Lusa enfrenta a Ponte Preta em terras campineiras. O time que tanto sofreu pelo despreparo, pelo amadorismo e pela forma suja de tratar o futebol volta a campo em verde e rubro. Dessa vez, com mais uma chance de mostrar que a realidade mudou. Que se assimilou erros passados e aproveitou-se a oportunidade de ouro. O torcedor sabe que não há mais o que aprender, mas o que fazer com as lições recebidas. Sete gols já tomamos, humilhações já sofremos e bandos em campo já tivemos. O momento é de virar a página em todos os sentidos possíveis.

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Nove jogadores foram afastados e mais de dez chegaram para compor o elenco. Uma reformulação estritamente necessária visto o desempenho nas dez primeiras rodadas da competição. Os atletas tiveram folga, treinaram no CT do Parque Ecológico, rezaram em Aparecida e participaram de uma inter-temporada em Serra Negra. Tempo suficiente para que as mudanças tenham sido feitas. O time que precisava de tudo – goleiro, zagueiros, laterais, volantes, meias e atacantes – apostou naquilo que parece caber ao bolso e à situação atual no mundo da bola.

O tempo dirá qual caminho foi trilhado na parada do campeonato. E a Copa do Mundo mostrou quais são os desfechos para cada uma das escolhas. Os anfitriões fizeram mais do mesmo e foram jogados a um patamar que jamais lhes pertenceu – frise-se: a Lusa conhece isso há tempos. Os menores mostraram que um trabalho sério faz com que a falta de estrutura e de material humano sejam superadas. Talvez não para chegar ao título, mas para fazer frente aos grandes. Os de tradição sem brilhante geração apontaram para a adaptação do que se tem à realidade atual do futebol. Fizeram campanhas honradas. Os campeões… Ah, os campeões… Bem, esse deve ser o norte de qualquer clube. Algo que em curto prazo não se alcança, mas que deve sempre ser vislumbrado.

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O futebol da realidade, das noites de terça, das arquibancadas de concreto, dos jogos sofríveis e da calculadora na mão está retornando. A Lusa volta a disputar sua Copa do Mundo. Ou melhor, começa. Um campeonato que vale muito mais que uma luta para não cair ou para subir. Uma competição na qual a dignidade do clube novamente está em jogo. Uma divisão que não pertence à Portuguesa. E ela precisa ser disputada por jogadores e treinadores que honrem a grandeza da camisa lusitana. Com profissionalismo, seriedade, respeito e garra.

Porque a torcida precisa voltar a encontrar ânimo e força para comparecer ao Canindé e soltar o grito de “vamos subir, Lusa”. Que, ao final do ano, os deuses do futebol nos recompensem pelo merecimento de um trabalho sério e não com o gosto amargo de um chocolate alemão. Esse amargo, meus caros, já conhecemos em todas as cores, divisões e funções.