Queda de assessor da CBF acontece após fritura com até carta anônima

Leia o post original por Perrone

A demissão do assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, após 12 anos e meio de trabalho na entidade, é o desfecho de um intenso processo de fritura que se agravou durante a Copa do Mundo.

Até uma carta anônima foi enviada ao presidente da Confederação Brasileira, José Maria Marin, com críticas ao assessor. Detalhes da rotina de Paiva são indícios de que ela foi escrita por algum funcionário da entidade interessado na degola do colega.

Mas os ataques ao assessor também partiram de fora da CBF. Presidentes de federações pediram a cabeça de Paiva após ele ser acusado de agredir o atacante chileno Pinilla no corredor de acesso ao vestiário do Mineirão. Ele alega que apenas se defendeu depois de ser agredido, mas foi suspenso pela Fifa.

Os cartolas que pediram sua saída alegam que o envolvimento na confusão não combina com o cargo do assessor, que é poliglota e teve sua passagem na seleção marcada pela diplomacia. Os mesmos dirigentes argumentaram que Paiva deveria sair porque Felipão deu entrevistas desastrosas, um sinal de que estaria sendo mal orientado pelo assessor.

A fritura era tanta que, com a Copa a todo vapor, pelo menos dois assessores de imprensa já estavam de olho no cargo de Rodrigo, cientes de que ele era empurrado para a porta da rua. O blog recebeu a informação de que Marco Polo Del Nero já estava a procura de um jornalista que fale pelo menos três línguas para substituir o assessor mesmo antes da confusão com chilenos. O dirigente, que assumirá a presidência da CBF em abril de 2015, no entanto, desmentiu a procura.

Nos anos em que esteve na confederação, Paiva ganhou status de integrante da comissão técnica. Criou o hábito de se sentar no banco de reservas e virou personagem marcante a ponto de dar diversas entrevistas para a imprensa internacional. Ex-assessor de Ronaldo, ele tinha influência junto a Ricardo Teixeira e chegou a bater de frente com o técnico Dunga durante a Copa de 2010.

O assessor soube da demissão por telefone. Júlio Avelleda, secretário-geral da CBF, disse a ele que Del Nero havia pedido para avisar da demissão, sem maiores explicações. Indagado pelo blog sobre a maneira como foi dispensado, Paiva afirmou que não faria comentários. “O que tenho a dizer é que tenho orgulho de fazer parte de um grupo vencedor. Foram nove finais, nove títulos, um deles mundial. Conduzi o maior desafio da história da cobertura do jornalismo esportivo do Brasil, eu e mais um assistente, sem ter nenhum problema. Planejei tudo. Foram mil jornalistas, 50 dias na Granja Comary. Saio de cabeça erguida”, declarou.

O destaque alcançado por Rodrigo, ex da atriz Maitê Proença e que na época de Teixeira tinha status de dirigente da entidade, explica a disputa por seu cargo. E a saída dele ajuda a dimensionar o tamanho da crise em que a CBF está envolvida.