A COPA DAS CONCESSÕES

Leia o post original por Gaciba

Fim de Copa, hora de balanços. Cada área olhando para o seu desempenho e com a arbitragem não é diferente. Infelizmente, creio que caso façamos uma análise imparcial e sincera, o saldo não será positivo.

Primeiro, as grandes mudanças já que tivemos a inclusão do sistema DAG (detecção automática de gol) e com o mundo conhecendo um velho companheiro dos árbitros brasileiros: o spray para auxiliar no controle da distância regulamentar; ambos aprovados com ganhos significativos para o futebol. Os generosos e justos acréscimos são bons exemplos que podem e devem ser seguidos pelos nossos árbitros.

O que claramente não funcionou foi o sistema de controle disciplinar da partida e as aplicações de cartões amarelos e vermelhos foram alvos de críticas fortes de treinadores, imprensa e jogadores.

A filosofia implantada de “proteger” os atletas faltosos e “valorizar” a aplicação de cartões durante as partidas claramente foi um fracasso. Conversei com membros de diversos países que estavam comemorando a baixo número de cartões e uma média de faltas menor do que a copa passada. Para mim, um equívoco! A imagem da comissão de arbitragem da FIFA, claramente, saiu manchada desta copa.

Vale lembrar que as regras do futebol e seus aperfeiçoamentos realizados durante estes 150 anos sempre foram no intuito de proteger aos atletas talentosos, para ajudar o futebol ARTE e punir aquele que se utiliza de subterfúgios escusos para atrapalhar o espetáculo. Pois a arbitragem desta copa INVERTEU profundamente estes valores. Ao não punir com cartões amarelos e vermelhos os atletas que disparavam pontapés durante os jogos, a arbitragem “colaborou” com os que param repetidamente de forma ilegal uma partida. Deu “cartão branco” para atletas que confundem a marcação forte e leal com botinadas, uso ilegal dos braços, reclamações excessivas e desrespeito a autoridade. Uma verdadeira FALTA DE FAIR PLAY com a regra do jogo e com quem queria jogar dentro dela.

Mas, falar sem provar é muito subjetivo. Ao terminar a competição, fizemos um levantamento para ver se a tendência utilizada foi uma sensação nossa ou uma realidade destes 64 jogos que vimos no Brasil.

A primeira comparação vem da Copa com ela mesma. Os números disciplinares desta edição fazem com que voltemos 28 anos de evolução. Veja no quadro abaixo a semelhança dos números da Copa de 2014 com a de 1986. Leve em conta toda a evolução da lei do jogo sendo cada vez mais rigorosa para proteção dos atletas e perceba que a equação não fecha!

CARTÕES COPA

Alguns podem pensar: Mas este é um padrão único ou há comparação? Vamos mostrar! Para não sermos injustos e realmente percebermos se houve uma discrepância em relação a outras competições em relação à aplicação de cartões e número de faltas marcadas. Comparamos a Copa daqui com a última copa do Mundo, jogos Olímpicos e copa das Confederações realizadas.

ok

 

Percebam que a relação na copa do mundo do Brasil é muito mais alta que as outras competições da FIFA. Aqui, precisaram existir 188 faltas para um atleta ser expulso e uma média de mais de dez faltas para a aplicação de um cartão amarelo. Comparado com a copa da África (6,7 faltas cometidas para cada amarelo e 154 para cada vermelho) percebe-se o tamanho das concessões feitas pelos árbitros neste Mundial.

Vendo a arbitragem da copa me recordei do início das minhas funções como árbitro de futebol quando apitava olimpíadas escolares e tínhamos a orientação de explicar as crianças ao invés de aplicar cartões quando as mesmas infringiam as regras. No esporte de alto nível, isso não é um bom exemplo. Fico imaginando como virão os vídeos de instrução da FIFA utilizando como exemplo as jogadas da copa do Mundo.

Será que irão corroborar as decisões do campo de jogo? Será que a orientação, claramente feita aos árbitros mundialistas serão pulverizadas pelo mundo? Torço que não! Aliás, o futebol torce…