É tetra. Não parece que foi ontem

Leia o post original por Mauro Beting

Vinte anos de 1994 era 1974. Era muito para quem tinha 27. Vinte anos de 2014 é final da Copa dos EUA. Não é tanto.

Nem foi tanta bola para ser tetra. Foi o melhor time da Copa o que tinha Romário e Bebeto. Muito mais que aquele bem organizado defensivamente por Parreira. Um tanto tolhido na criatividade e na movimentação pela camisa de força tática imposta por ele e por Zagallo.

Dava para ter sido campeão com menos sofrimento naquele que foi o maior calor que senti na vida, em Pasadena. Não falo apenas pelos mais de 40 graus do absurdo que foi jogar ao sol a pino e frito no inferno do Californo. Falo de um time que era o melhor do Mundial. Mas tinha potencial para ser melhor que aquilo que foi jogado.

A clássica narração de Galvão Bueno é o alívio tanto do homem sujeito a 120 minutos e mais pênaltis de emoção e exaustão no exaustor do Rose Bowl quanto do torcedor que sofreu 24 anos sem títulos para ganhar o mundo num chute para outro planeta de Baggio. O melhor italiano na Copa. Um cara que jogou com a coxa baleada e acabou jogando na lua que queimava o pênalti que costumava guardar.

Era muito cansaço. Foi pouco futebol. Fruto podre da praga pragmática que entrevou e travou o jogo planetário desde a derrota brasileira na Copa de 1982. Copiamos os italianos. O mundo que eles conquistaram também. Valia então e tão somente ganhar por vencer. Mesmo que perdendo a essência. A beleza. O espírito. O próprio jogo.

O Brasil mereceu ganhar 1994. Mas o brasileiro merecia mais que isso.

Vinte anos passados, lembro tanto do calor quanto do mau humor com muitos minutos daquele e de tantos jogos mais amarrados do que devidamente amados de quem nos trouxe o tetra.

Uma pena. Mas que também fica como toque para 2014. Tentemos copiar o que há de ótimo na Alemanha. E o que ela também aprendeu conosco. Mas, ainda mais, tentemos voltar a pensar o jogo em brasileiro. Falar brasileiro com os pés. Tocar a bola, driblar o rival, buscar o gol, ousar, alegrar.

Ganhamos muito mais querendo jogar brasileiro. Perdemos algo mais querendo jogar outro jogo.

P.S.: Saudades de meus queridos parceiros de tetra da rádio Gazeta: Marcelo di Lallo, Regiani Ritter, Eduardo Luís, Jorge Vinicius, Alberto César e os saudosos Pedro Luís, Pedro Luís Júnior, Carlos Favotto e tanta gente ótima e querida do quarto andar da Paulista 900.