Futebol brasileiro precisa de uma greve geral

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Tinha que se demitir

Marin parece não entender o mundo de hoje.

Entregou algumas cabeças de funcionários de destaque e achou que isso bastaria para saciar a ira de parte da opinião pública que não consegue digerir a patéticas participação do selecionado nacional na Copa do Mundo.

Não fez o mais importante, que era largar o cargo junto com todos os cartolas da entidade e abrir espaço para pessoas capazes e interessadas em mexerem profundamente na obsoleta e firme estrutura do futebol brasileiro.

Perguntas sem respostas

Veja a escolha de Gilmar Rinaldi (minha opinião publicada na edição de hoje do Lance. Mandei ontem para o jornal)

Por que não foi escolhido para a função alguém com experiência, formação técnica e bons trabalhos no currículo? Dinheiro a CBF tem de sobra. Pode contratar quem quiser.

Que tipo de raciocínio pautou a decisão?

Tenho informações para comentar sobre o Gilmar goleiro, superintendente do Flamengo e empresário. O capaz de coordenar a profunda mudança na seleção eu não conheço.

No momento de crise, a cartolagem decidiu apostar, sabe lá Deus por qual motivo, numa incógnita.

Os problemas do futebol brasileiro vão bem além do que se passa na seleção ou do boné usado por qualquer jogador.

Até o novo funcionário provar o contrário, a opção de Marin tem cara de ‘mais do mesmo’.

Mais importante

Melhorar a seleção brasileira é só um detalhe.

É necessário elevar o nível do futebol no dia-a-dia, situação difícil de acontecer enquanto os mesmos dirigentes de federações e clubes continuarem no poder.

Pouco adianta, por exemplo, lotar os cofres dos times de grana, pois os valores das transferências, das comissões dos empresários e salários ficarão maiores, os nomes dos atletas serão mais ou menos os mesmos, a verba acabará e tudo continuará igual.

Desculpe se estiver sendo repetitivo, mas de novo ressalto que dar mais dinheiro para os mesmos dirigentes fazerem o mesmo de sempre resulta, na melhor das hipóteses, na manutenção do que vemos.

Indispensáveis

Há medidas indispensáveis para a gente começar a crer em mudanças.

Os votos dos clubes precisam ter peso maior que os das federações na eleição da CBF. Assim os cartolas de federações vão ter mais dificuldade para protegerem seus empregos e entidades.

A política da troca de favores perderá força entre eles e, quem sabe, os responsáveis pela revelação de jogadores e pagamento de salários possam, um dia, se unir sem medo de retaliações.

Outro ponto fundamental é obrigação de os dirigentes de clubes responderem legalmente por suas gestões irresponsáveis e as equipes que comandam devem ser rebaixadas se descumprirem muitos compromissos por eles assumidos.

O futebol precisa parar de ser o paraíso de incompetentes que tiram proveito dele a qualquer custo.

E a ameaça de queda fará os torcedores que só pensam no resultado e nos benefícios do próprio time a qualquer custo usarem o egoísmo de outra maneira, pois seus interesses pessoais serão feridos e irão fiscalizar a saúde financeira da instituição amada.

Basta ver a mudança de comportamento na arquibancada depois que começaram a tirar mandos de jogos de quem atira objetos no gramado.

Detesto a ideia de impor limites legais para as coisas caminharem, mas entendo a necessidade de alguns momentos, ainda mais quando as sanções geram as melhorias.

A greve geral

Marin é contra tudo isso.

Não mexerá nas feridas.

A reação precisa partir dos próprios jogadores porque seus patrões não mostram nenhum engajamento nas questões levantadas constantemente pelo zagueiro Paulo André, todas de alta relevância, ou dos torcedores.

E como a CBF não recuou até agora diante dos protestos, faz-se necessária a greve geral curta, no começo, para os atletas mostrarem sua força.

Se é que a tal força existe.

Eis a questão.