De trás para frente…

Leia o post original por Luiz Nascimento

Os trabalhos do técnico Marcelo Veiga sempre foram marcados por um esquema tático bem definido. Seja nos vários anos de Bragantino, seja nos outros clubes em que atuou. O treinador sempre monta equipes sólidas defensivamente, que se preocupam primeiro em marcar para depois, caso o adversário dê espaços, atacar. Um jogo defensivo, muitas vezes com três zagueiros, com um meio-campo encorpado por volantes, que desafoga a situação pelas laterais do campo em busca de um centroavante definidor. Na Portuguesa não é diferente.

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Além dos afastamentos e das contratações, a parada da Copa do Mundo serviu para que Veiga moldasse a equipe ao seu estilo tático. As primeiras impressões foram vistas na volta do recesso, contra a Ponte Preta. Um time que, do meio-campo para trás, portou-se muito bem. Quase impecável. Porém, uma equipe que praticamente não conseguiu criar jogadas de ataque e finalizar a gol. Contra o Paraná a situação se repetiu. E ficou mais complicada jogando em casa, quando era a Lusa quem enfrentava uma equipe que esperava para jogar no erro do adversário. Propor jogo virou um desafio hercúleo.

O time de Marcelo Veiga, até então, sofre com um meio-campo inerte. Sem criatividade, sem armação, sem toque de bola. Uma equipe que não tem um homem que pense o jogo. Pelo menos um jogador definido. Há, muitas vezes, atletas que durante a partida atuam em diversas funções pelo setor. No entanto, sem grande praticidade. O que se vê é uma Portuguesa que abusa dos passes longos, dos lançamentos e dos cruzamentos. O famoso “bumba meu boi” buscando um centroavante que os próprios homens de frente procuram.

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Os reforços chegaram e alguns sequer estrearam. Há quem tivesse entraves burocráticos, assim como também há os que “não apresentam condições físicas”. As questões de entrosamento e de ritmo de jogo pesam, porém, há como vislumbrar uma Portuguesa forte e que lute pelo acesso com tudo que se tem em mãos? Por mais que o torcedor tenha boa vontade em acreditar em uma luta pela Série A, torna-se difícil pensar dessa forma após ver a atuação do time nessas duas primeiras rodadas pós-Mundial. Para um clube cujo objetivo é permanecer na Série B, o time está bem. Contudo, para subir, muito longe do necessário.

Contra a Ponte Preta o empate sem gols retratou bem o estilo de jogo luso. Não deixa criar, mas também não leva perigo nenhum. Contra o Paraná, não fosse o gol de falta na forquilha, talvez a equipe curitibana não tivesse aberto o placar mesmo com as várias chances criadas na partida. O gol luso, como muitos disseram, foi achado. Com desvio providencial no zagueiro adversário, o que matou o goleiro. A pergunta que fica é: quando todos os jogadores estiverem em condições, o estilo de jogo da Portuguesa vai mudar? E outra: haverá tempo de lutar pelo acesso?

Analisando o repertório do técnico Marcelo Veiga torna-se difícil acreditar nisso. Ele é um treinador que, pelo próprio estilo tático, sempre se notabilizou pela manutenção e não pelo acesso. No trabalho mais visto, à frente do Bragantino, manteve o time nas divisões que disputava diversas vezes. E, quando teve um ou outro matador no time, conseguiu lutar por classificações e acesso. Quase sempre, pela limitação técnica dos times, morrendo na praia. Não por culpa do treinador, longe disso. Sempre fez aquilo que o plantel permitia nos moldes táticos de que gosta. Porém, fica outra pergunta que se repete desde o início da competição: qual é o objetivo da Lusa no campeonato?

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Time que quer subir precisa jogar futebol. Tem de apresentar um jogo minimamente organizado no meio-campo e um ataque produtivo. Sem atacar não se ganha. E sem vencer – muito, por sinal – não se sobe. Subimos em 2007 com um jogo defensivo, porém, com laterais velozes, de profundidade, que tinham quem sabia fazer gol na frente. E um meio-campo que não apenas marcava. Fomos campeões em 2011 jogando um dos melhores, senão o melhor, futebol que se viu na Série B. Toque de bola, rapidez, pra frente, com todos marcando gols. Aquela campanha não dependeu de um centroavante. O único a não marcar foi o goleiro. Precisamos daquilo que nós mesmos já vivenciamos: jogar bola.

Se o time continuar com essa filosofia de jogo, a torcida terá de se contentar a permanência na Série B do Campeonato Brasileiro. Como afirmo desde o início do torneio, não sei se Marcelo Veiga é o nome ideal para os objetivos do clube. Nada contra a pessoa, porém, tem uma mentalidade de jogo que dificilmente nos levará ao acesso. Tomara que, quando os reforços estiverem na melhor condição física e em campo, o time mostre uma cara totalmente diferente. Porém, acho difícil. A equipe pode ter melhorado. E ninguém nega que as dificuldades são imensas. Mas, é desanimador ver que as chances de uma luta à altura da história do clube são mínimas. E que as perspectivas de ver um time capaz de jogar pra frente, marcar gols, vencer e dominar jogos em casa não são muito grandes. E é disso que se precisa pra subir.