Escolha de Gilmar Rinaldi pela CBF é criticada por dirigentes e senadores

Leia o post original por Perrone

A escolha de Gilmar Rinaldi como coordenador de seleções da CBF aumentou as críticas que a cúpula da entidade recebe desde o vexame do Brasil na Copa do Mundo. Elas partem de desafetos históricos, como políticos interessados em emplacar uma CPI sobre a entidade, mas também de dirigentes próximos a José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

O principal motivo de reprovação é o fato de Rinaldi ser ex-empresário de jogadores. Ele disse em sua apresentação que a carreira já estava quase encerrada e que na véspera de assumir o cargo na CBF avisou seus clientes de que não trabalharia mais como agente.

O blog ouviu três presidentes de federações estaduais, um dirigente da Federação Paulista e dois cartolas de clubes de São Paulo. Todos condenaram a indicação de Rinaldi.

“Não tenho nada pessoal contra o Gilmar e respeito a decisão do presidente da CBF [Marin]. Agora, ele dá entrevista dizendo que foi empresário de jogador. Foi, não. Deixou de ser da noite para o dia? Muito fácil, a empresa toca, ele diz que não é mais. Acho que não pega bem. Ele é um nome novo, mas não representa renovação. Vários colegas [presidentes de entidades estaduais] estão decepcionados”, disse Delfim de Pádua Peixoto, presidente da Federação de Santa Catarina. Ele vai assumir uma das vice-presidências da CBF na gestão de Del Nero a partir de abril do ano que vem e foi o único dos cartolas ouvidos que aceitou ter seu nome publicado.

Outra queixa é de que, apesar de ser gaúcho, Rinaldi aumenta a “paulistanização” da confederação, criticada por dirigentes de outros Estados desde que Marin e Del Nero, presidente da Federação Paulista, assumiram a entidade nacional. O ex-goleiro frequenta a FPF e mantém amizade com Del Nero. Durante anos, também teve bom relacionamento com Ricardo Teixeira, ex-presidente da confederação.

Há ainda a avaliação de que a cúpula da CBF errou por dar munição a políticos que travam uma batalha com a bancada da bola em Brasília para aprovar mudanças na legislação que desagradam à confederação, além de tentarem instalar uma CPI na Câmara e outra no Senado.

De fato, a escolha de Rinaldi fez com que novos disparos vindos de Brasília atingissem a CBF. “A nomeação de um empresário mostra bem a promiscuidade do futebol brasileiro. Foi como colocar o cabrito para tomar conta da horta, como se não tivesse mais ninguém para tomar conta da seleção brasileira”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Um dia após a final da Copa do Mundo, ele apresentou um projeto de lei que entre outras medidas permite que o TCU (Tribunal de Contas da União) fiscalize as finanças da Confederação Brasileira.

O discurso de posse do coordenador de seleções também é atacado por críticos da CBF. “A gente leva uma trolha de 7 a 1 na semifinal, outra de 3 a 0 na disputa de terceiro lugar, e Gilmar Rinaldi assume dizendo que o problema é o boné ‘Força Neymar’. Inacreditável”, declarou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Ele é um dos autores de pedido de CPI no Senado para investigar a CBF e a máfia dos ingressos que atuou na Copa.

O blog telefonou dez vezes para o celular de Rinaldi, das 13h37 às 20h04 desta sexta para ouvir o dirigente sobre as críticas, mas ele não atendeu às ligações.