A tortura do tempo real e a homenagem a João Ubaldo

Leia o post original por Bruno Maia

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Quando era pequeno, achava uma delícia e uma tortura ouvir jogo pelo rádio. Ao mesmo tempo em que a emoção do locutor exacerbava tudo que o ouvinte escutava, a aflição de não estar vendo era desesperadora. Fora o trauma que ficou ao escutar um Vasco x Sport, pelo Brasilieiro 1992, que estava 0×0 no segundo tempo, quando Bebeto rompeu na área dos pernambucanos, chutou e o narrador gritou: “Gooooooooooooooooooooooooooooolden Cross, primeiro lugar em saúde…” Poucas vezes quis tanto matar alguém quanto aquele maldito.

Mas o tempo passou e inventaram uma versão mais moderna pra tudo, inclusive para a tortura de não se poder assistir um jogo: o “tempo real”. Por força do trabalho, tive que vir pra fora do país e hoje me restou apenas o desespero de assistir o jogo assim. Mas pior que o rádio, o tempo real não tem a emoção. Um tweet, ou pouco mais que isso, além de um atraso maior na informação do que o rádio, ainda é frio como a tela do computador sem voz. Muito ruim. Não adianta esperar o vídeo do gol aparecer, o gol já fica frio, sem emoção.

E nesse contexto, só me resta fazer uma queixa do Premiere F.C. Vi durante muito tempo o anúncio de que agora poderia acompanhar meu time onde quisesse, através do tablet e do pagamento da mensalidade – é claro! – do serviço. Pois bem, baixei todo animado pra ver a volta do time para São Januário, e eis que apesar de pagar um pacote mais caro que envolve as duas divisões do futebol nacional, descubro que a transmissão no aplicativo é apenas dos jogos da Série A! Me senti lesado e enganado. Comecei a investigar e achei letrinhas pequenininhas no anúncio que confirmavam: apenas jogos da série A. Nada é mais revoltante para um consumidor do que ver que sua razão foi esvaziada em letrinhas no canto do anúncio. Muito feio isso. Aliás, como vou ficar fora duas semanas, quem souber de alguma forma de eu assistir os jogos daqui, um link, alguma coisa, agradeço… Os comentários estão aí abertos.

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Bem, dito isso, vamos ao que deu pra absorver aqui a distância. A máquina vascaína engasgou. Não é possível que esse time não consiga render jogando em São Januário. Pelas imagens que vi daqui a torcida se fez presente, linda, apoiando, renovada. O time saiu na frente. Tudo encaminhado para pegarmos o embalo e parar na Libertadores do ano que vem! Mas aí, veio o velho mole, desatenção, insegurança, cagada, lambança sem tamanho e blau! Aí vem a velha conhecida incapacidade de se recompor emocionalmente e recuperar o jogo quando se está jogando na colina.

A cada novo post, meu coração explodia ao ver o Vasco ameaçado por Rodrigo Pimpão ou não conseguindo superar Fernando Henrique. Não é possível.

Quanto mais caminhávamos para o fim da partida, a angústia aumentava. É esquema gol de ouro, se levar acaba, se fizer não perde. Mas o tempo-real é frio.

A torcida vascaína já voltou pra cima de Adílson Batista. Sigo com a mesma opinião de que ruim com ele, pior sem. Mas o tempo tá passando e já é mais do que hora de deslanchar na tabela. Melhor do que qualquer uma das duas atuações do Kleber até agora foi a declaração dele de que o Vasco precisa subir sem susto. É verdade e a torcida segue esperando.

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Uma pena, uma perda, uma infelicidade tremenda a morte de João Ubaldo Ribeiro. Desconheço as condições de saúdo em que o grande escritor vascaíno se encontrava, mas com o avanço dos tempos, não é leviano dizer que foi muito precoce, mesmo aos 73 anos. João Ubaldo seguia ativo, criador, brilhante, vascaíno. Não deu chance ao Brasil de se imaginar a ideia de não tê-lo mais aqui. Foi em forma de estrela. O mundo fica mais cretino quando se perde um João Ubaldo Ribeiro. Nenhuma homenagem é suficiente, mas a saudação é fundação: Casaca! Casaca! Casaca!