Marin, injusto, desprezou Tite; Dunga foi bem em 2010, mas continua sendo uma incógnita

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Bom trabalho

O começo do Dunga na seleção foi ruim.

Mas depois ele acertou a mão e fez, após a saída de Telê Santana em 1986, o melhor trabalho em seleções brasileiras nas Copas do Mundo.

Superior aos de Parreira em 1994 e ao de Felipão em 2002, se levarmos em conta a qualidade dos atletas que os três tiveram à disposição.

Discordei da convocação de Júlio Baptista.

Defendi a de Ganso, na época, mas sabia e continuo sabendo que as presenças do meia e de Neymar não eram garantias de a seleção reverter o cenário no segundo tempo diante da Holanda, que foi diferente de tudo que o Brasil mostrou naquele torneio e nos anos que o antecederam.

Dúvida

No Internacional, Dunga não foi bem.

Comandou um dos melhores elencos do país e o time jogou futebol inferior ao que podia.

Em qual Dunga eu devo acreditar?

No da seleção ou no do clube?

Não tenho a resposta.

Proposta

A filosofia de jogo do comandante não tem nada a ver com a da Alemanha, que virou referência em boa parte das discussões sobre futebol no Brasil.

Tem mais a ver com as de Argentina, Holanda e Colômbia e da enorme maioria de seleções que apostaram em marcação e contra-ataque.

Se Dunga não mudou suas convicções, quem tem a esperança de ver o time com muita posse de bola ofensiva, pressionando os adversários e correndo riscos para fazer gols ao invés de marcar forte e explorar os erros do adversário, ficará frustrado.

Pressão, raiva e inimigos

Dunga ganhou a Copa do Mundo de 1994 arrumando supostos inimigos em vários lugares.

Atacou até a geração anterior, a de Zico, Sócrates e Falcão por não ter vencido o Mundial.

Em 2010 arrumou outros inimigos fictícios e continuou os achando de verdade.

Dunga inegavelmente soube lidar com a pressão.

A transformou em estímulo para o elenco fazendo os jogadores acreditarem nos discursos do ‘todos estão contra nós’, ‘vamos calar a boca deles’, somos nós contra tudo’…

A receita, neste momento de péssima relação do torcedor com a seleção, pode deixar a situação ainda mais tensa.

Acredito que as pessoas mudam seus conceitos de vida, mas não tenho, ao menos ainda, razão para crer que o técnico se preocupou em fazer isso.

Nem sei se tem outra receita para motivar os jogadores.

Mais do mesmo

Critiquei os primeiros meses do trabalho anterior de Dunga na seleção.

Depois, quando vi que deu um rumo ao time, o elogiei bastante apenas pontuando alguns erros em meio aos vários acertos.

Foi bom ver uma seleção guerreira depois de falta de respeito de Ronaldo, muito acima do peso, e de seus companheiros na farra em Veggis na Copa do Mundo em 2006.

Tal qual citei no post, ainda não formei opinião sobre o técnico Dunga.

Não tenho a menor convicção se vai ou não conseguir bons resultados.

Minha única crença é de que se trata de mais do mesmo.

Tite foi injustiçado

Tite deu aula de montagem de sistema defensivo no Corinthians.

É um treinador estudioso, que também sabe preparar equipes para jogarem no ataque.

Busca sempre o “e-qui-lí-brio’, como gosta de falar.

No Alvinegro, preparou o time para atuar de acordo com as características do elenco.

Na seleção brasileira, teria mais opções de propostas de jogo.

Assim que saiu do Parque São Jorge, foi estudar, se preparar, ver futebol noutros países.

O momento era dele se a contratação de um estrangeiro estava descartada.

Foi injustiçado pelo retrógrado Marin.