Eleição é a palavra do ano

Leia o post original por diego simao

O Figueirense saiu derrotado dentro de campo mais uma vez. Algo que praticamente não gera mais comoção, mas sim, indignação.

A fase não é ruim, é péssima. Na realidade faltam adjetivos para melhor classificar tamanho vexame.

Assim como na CBF e na Seleção, sabemos, no entanto, que o problema não é apenas o técnico. Sim, Guto é insustentável e não merecia estar no comando. Mas sua saída resolve alguma coisa?

A expectativa dominante, neste momento, é que mesmo com troca de treinador o Figueirense vai cair. Estamos muito aquém do mínimo para falar em permanência. Neste Brasileirão ganhamos apenas dois jogos e empatamos outro. Ontem, se completava 99 dias, com a parada da Copa na conta, sem vitória dentro do Scarpelli. E mesmo assim podemos falar que a vitória valeu absolutamente nada.

Por isso é quase consenso que pode trazer o Mourinho ou qualquer outro “pica das galáxias” para o banco do treinador que não vai dar jeito. Tem muito para melhorar.

Ontem, somente para pontuar um exemplo, se viu jogadores alvinegros batendo boca. Sem falar que a parada da Copa serviu de nada, com um time completamente desentrosado em campo.

Pastana

O problema é mais embaixo. Ou em cima, como queiram.

A condução do futebol alvinegro é simplesmente desastrosa. Para não se mais agressivo na definição.

Antes da parada da Copa, ainda defendi que a manutenção de Pastana, no comando da “reformulação” do elenco – MAIS UMA VEZ – não daria certo. E não tem dado.

Conseguimos uma vitória importante contra o Coritiba, um dos piores times do campeonato, mas parou por ai. Contra o Grêmio as mesmas deficiências de sempre. As mesmas fraquezas de sempre. Contra o Bragantino, bom, melhor nem comentar.

Nem vou me alongar muito. Mais importante que mandar Guto embora, é mudar o futebol e começar a voltar a ter somente interesses do clube na base e gestão profissional do time principal.

Passoni

E não para por ai. O problema mais profundo, ou mais ao topo da cadeia de poder alvinegra, também atrapalha.

Ontem o segundo vice-presidente, Passioni, pediu renúncia e ligou a metralhadora contra Wilfredo e Pastana. Do outro lado, Pastana chamou o ex-vice de “rato”. Um excelente clima para o jogo.

A gente até mesmo poderia aqui chamar a atenção para o Passoni chegou a comentar. Porém, não existe nenhuma novidade.

Tudo que foi levantado por Passioni não é velho e existe mesmo antes de sua entrada na Chapa de Wilfredo que foi eleita em um processo pra lá de direcionado lembrando mais uma “nomeação” do Regime Militar do que um evento democrático.

Passoni não está errado. Existem dívidas, existem desmandos, existe muito ego acima dos interesses institucionais. Tudo isso existe, e não é novidade para ninguém que acompanha este blog a algum tempo. Sinceramente já escrevi tanto sobre o que Passoni “denuncia” que simplesmente até cansei de postar sobre.

A grande verdade é que a saída de Passoni deveria decretar o fim de duas filosofia muito difundidas dentro do Scarpelli.

A primeira vem inserida na célebre frase quando cobrávamos, já na entrada de Wilfredo enquanto Alliance e depois enquanto pessoa física no Scarpelli: “As melancias vão se ajeitando durante o caminho“. É a confissão da falta de um planejamento de longo prazo, de falta de limites, de inexistencia de uma caráter a ser respeitado. E vejam, escutei essa frase não só de um e inclusive de desembargador.

A segunda, sempre dita por quem entrava no poder, mas sabendo que estava tudo errado internamente: “tem que entrar, depois vamos mudar por dentro“. É a esperança que vai mudar algo enquanto um poder posto comanda o clube, como se uma “luz divina” fosse cair sobre a cabeça do dignitário maior e que o interesse institucional fosse respeitado.

É cansativo ver isso tudo se repetir desde 2009 quando Prisco caiu. E não vamos aqui vir com o papo de “Volta Prisco” por um modelo que era o mesmo: entregar o clube (a batata quente) para outro com dinheiro e ele faz crescer. No melhor “Molde Renascentista“, algo atrasado, hummmm, pouca coisa, uns 400 anos.

Passoni apenas foi mais um peão dentro deste jogo político. Enquanto Wilfredo fazia o que queria, deu um “título” para Passoni e deixou ele “escanteado” achando que estava fazendo alguma coisa no marketing do clube. Com isso calou um grupo de pessoas.

Aliás, sobre o marketing: é um gigantesco desastre. Pode ter o melhor marketing do mundo, mas se sua empresa não reflete os valores que você quer expressar, é pura ilusão.

Para mudar

Não adianta, ou a comunidade alvinegra começa a levar mais a sério a mudança estrutural ou estamos destinados a desaparecer do mapa. No fim, é capaz de termos que REFUNDAR o clube, tendo em vista que o Figueirense pode ficar sem clube, sem time, sem nada.

Como falei, a saída de Passoni não lança nenhuma novidade no ar, somente reforça tudo que estamos falando aqui e em outros blogs e sites alvinegros a muito tempo. A reestruturação tem que ser completa. No administrativo e no deliberativo. Mudar a forma que tudo ocorre e democratizar esse clube.

Eleição é a palavra do ano.

Abraço do Tainha