Galo conquista a Recopa em jogo eletrizante; San Lorenzo goleia o Bolívar e fica perto da vaga na final da Libertadores

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Convidei o Felipe para escrever sobre a decisão da Recopa e semifinal da Libertadores.

Fui escalado para os comentar os jogos da Copa do Brasil, ao vivo, no placar  UOL.

Mesmo assim, acompanhei, sem a devida atenção para detalhar o que houve, a emocionante conquista do Galo.

Título de Recopa não é dos mais relevantes, mas o confronto eletrizante, do tipo que fica na memória dos torcedores, aumentou a alegria da nação atleticana e valorizou o momento por ela vivido na noite de quarta-feira e começo da madrugada da quinta.

Agradeço ao amigo, que conhece futebol, pelos textos e campinhos.

De Felipe Bigliazzi Dominguez

O Galo foi campeão da Recopa em um jogo épico.

Foi um dos melhores do ano.

O Lanús, guerreiro, deixou de novo ótima imagem.

O primeiro tempo foi nervoso, pegado, com cara de Libertadores. O gol de Diego Tardelli aos 7 minutos, em cobrança de pênalti, parecia encaminhar um enredo diferente.

Eis que, logo na sequência, o Lanús encontraria o empate em uma clamorosa desatenção do lado esquerdo da defesa do Galo;

Diego Gonzalez foi ao fundo para servir o paraguaio Victor Ayala, que se redimia do pênalti cometido com um belo gol.

Guillermo Barros Schelloto postou o Lanús no 4-4-2 em linha, deixando o seu habitual 4-3-3 para rechear o meio de campo e evitar o protagonismo atleticano.

A ideia deu resultado. O conjunto granate esfriava o jogo à sua maneira, bem compactado com Diego Gonzalez e Victor Ayala evitando as subida de Emerson Conceição e Marcos Rocha.

Ronaldinho Gaucho era vigiado individualmente por Leandro Somoza, ao passo que Jorge Ortiz fechava a segunda linha batendo contra a marcação de Pierre.

Aos poucos, na base da falta, o Lanús encaminhava o jogo à seu gosto, com Lautaro Acosta infernizando a defesa atleticana.

Em falta sofrida pelo intrépido avante, o Granate virou o jogo com gol de puro oportunismo de Santiago Silva.

Finalmente o Galo foi para o jogo

Postado por Levir Culpi no imutável 4-2-3-1, o Atlético carecia de maior participação de seus homens de frente.

Foi graças as subidas dos laterais, que passaram a primeira metade do primeiro tempo presos na linha defensiva, que o Galo encontrou sua melhor versão.

A rotação do tridente de armadores também começou a funcionar. No gol de empate, Maicosuel saiu da esquerda para o centro para aproveitar o cruzamento de Marcos Rocha como se fosse um autêntico centroavante.

Apesar do primeiro tempo irregular, o Atlético Mineiro partia para o intervalo com o título no bolso graças a vantagem do primeiro jogo.

Depois do intervalo, o Lanús assumiu o traje de protagonismo.

Com as linhas adiantadas e bom toque de bola, o conjunto argentino encurralou o Atlético.

O Galo apostava no contra-ataque.

Em um deles, Ronaldinho, apagado na decisão, perdeu um gol cara a cara, após passe de Tardelli.

O Lanús pressionava, com Lautaro Acosta dando um calor tremendo na zaga mineira. Victor evitou o empate em duas oportunidades. O sufoco era grande.

Levir Culpi tirou Ronaldinho, colocou Luan na ponta direita e posicionou Tardelli na região central da linha de armadores.

Schelloto apenas nos últimos minutos resolveu voltar ao 4-3-3 já tradicional, com o ingresso do ponteiro Melano no lugar do lateral Carlos Araújo.

O polivalente Victor Ayala foi deslocado para lateral direita. O Lanús seguia melhor, com domínio territorial e mais posse de bola.

O Galo perdeu inúmeros contra-ataques, dando sopa para o azar.

Irregular

Eis que, aos 48 minutos, o guerreiro Lanús encontrou o gol da vitória. Santiago Silva, impedido, finalizou após cruzamento da esquerda;

Lautaro Acosta, o melhor homem em campo, fez o gol da vitória, forçando a prorrogação.

Vantagem física foi decisiva

Na prorrogação, o Atlético teve mais pernas e sorte.

O Lanús extenuado pelo esforço durante o segundo tempo, perdeu intensidade. Nem mesmo a entrada dos jovens, Melano e Junior Benitez, deram um novo gás ao time do sul de Buenos Aires.

O Galo tirou proveito e numa jogada pela esquerda com Luan, às costas do improvisado Ayala, cruzou para o gol contra do zagueiro paraguaio Gustavo Gómez.

No final, outro gol contra selou a virada e o título. Victor Ayala, agora improvisado como zagueiro recuou bisonhamente, enganando Marchesin e definindo o 4 a 3 em favor do clube mineiro.

Ainda deu tempo do ótimo Lautaro Acosta perder a cabeça, insultar o árbitro e ver o cartão vermelho.

Galo Campeão!

Ficha técnica:

Atlético Mineiro: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver, Emerson Conceição; Pierre e Leandro Donizete; Maicosuel(Guilherme), Ronaldinho(Luan) e Diego Tardelli(Dátolo); Jô. Técnico: Levir Culpi

Lanús: Agustín Marchesín; Carlos.Araujo(Melano), G.Gómez(J.Benitez), Braghieri e Maxi Velázquez; Diego Gonzalez, Leandro Somoza, Jorge Ortiz(Pasquini) e Victor Ayala; Lautaro Acosta e Santiago Silva. Técnico: Guillermo Barros Schelloto

Árbitro: Roberto Silvera do Uruguai

Gols: Diego Tardelli aos 7 do primeiro tempo, Victor Ayala aos 9 do primeiro tempo, Santiago Silva aos 26 do primeiro tempo, Maicosuel aos 38 do primeiro tempo, Lautaro Acosta aos 48 do segundo tempo. Na prorrogação: Gustavo Gómez aos 113′ e Victor Ayala aos 113′, ambos contra.

Desenho tático do 1° tempo

2° tempo

Prorrogação

Ciclón goleia em Buenos Aires

San Lorenzo 5×0 Bolívar

Um San Lorenzo contundente, com cara de campeão, massacrou o Bolívar no primeiro jogo da semifinal elevou ao delírio a sua fanática torcida no Nuevo Gasômetro.

Postado por “Patón” Bauza no 4-2-3-1, o ciclón engoliu o Bolívar nos primeiros 10 minutos.

Os ótimos meias extremos, Ignacio Piatti e Hector Villalba, pressionavam a saída de bola, prendendo os alas Yecerotte e Capdevilla na linha de zagueiros da Academia boliviana.

O Bolívar dirigido pelo espanhol Xabier Azkargota ficava preso na armadilha no ciclón em seu 5-4-1.

Leandro Romagnoli, polemicamente habilitado pela Conmebol apesar da expulsão no último jogo frente ao Cruzeiro, seguia muito ativo atuando as costas dos volantes Damir Miranda e Walter Flores.

Dentro do campo rival e com posse de bola que chegou aos 75 %, o San Lorenzo forçava o conjunto boliviano a cometer inúmeras faltas na entrada da área.

Eis que aos 6 minutos, em uma dessas infrações , Romagnoli encontrou a cabeça do centroavante Mauro Mattos, que se beneficiou da errática linha de impedimento boliviana para anotar o primeiro gol.

Os azulgranas seguiam melhores, com muita intensidade pelos lados do campo e com a rápida recuperação da posse de bola com a entrosada e regular dupla de volantes formada por Nestor Ortigoza e Juan Mercier.

O segundo gol era questão de tempo.

Como se fosse um ‘replay’, Pipi Romagnoli cobrou uma falta na cabeça do lateral Emanuel Más, que anotou o segundo gol graças a nova falha bisonha da defesa do Bolívar.

Na etapa final Azkargota colocou o veterano Carlos Tenório no comando do ataque. O volante Flores também ingressou após o intervalo.

Apesar das mudanças de nomes, o esquema tático e a postura da equipe boliviana seguia o mesmo, assim o Bolívar seguiu sendo dominado claramente.

O San Lorenzo controlou o jogo, apesar da diminuição natural de intensidade.

Bauza sacou Mattos e Romagnoli, dando minutos ao recém contratado Pablo Barrientos, assim como ao centroavante uruguaio Martin Cauteruccio, que vinha de meses de inatividade por uma lesão de joelho.

Aos 24 minutos, Mercier ampliou após linda roubada e erro grotesco do zagueiro Gutierrez. Logo na sequencia, o lateral Julio Buffarini praticamente fechou o caixão boliviano com um gol oriundo de outra péssima saída de bola do Bolívar.

Ainda deu tempo de Emanuel Más anotar outro gol de bola parada, após cruzamento de Barrientos.

O San Lorenzo está perto de sua primeira final de Libertadores. Apenas uma tragédia em La Paz tira o ciclón de Boedo da decisão sonhada.

Ficha Técnica:

San Lorenzo: Torrico; Buffarini, Cetto, Gentiletti e Más; Mercier e Ortigoza; Piatti, Romagnoli(Barrientos) e Villalba(G.Verón); Mauro Mattos (Cauteruccio) técnico: Edgardo Bauza

Bolívar: Quiñónez; L.Gutierrez, N.Cabrera e Eguino; Yecerotte, D.Miranda(J.Chávez), W.Flores e Capdevilla; Juanmi Callejón(E.Saavedra) e Juan Carlos Arce; O.Rodas(C.Tenório) técnico: Xabier Azkargota

Desenho tático

1° tempo

2° tempo