A gente se acha e se perde

Leia o post original por Mauro Beting

Quem se acha se perde.

O Brasil às vezes perde por se achar em campo.

Felipão achou que dava para encarar de igual a Alemanha. Ainda não se achou depois de perder como jamais perdemos em 100 anos

A Seleção, quase sempre, propõe o jogo. Ataca até quando não tem com quem, como e, por tabela, por quê.

Um de nossos erros nos últimos anos não é ter complexo de vira-lata. É arrogância de cachorro grande. De achar que só nós somos, que só nós podemos.

Pois é.

Agora, embarcando no aeroporto de Confins, talvez tenha “descoberto” um dos motivos para nossa jactância. Para a soberba soberana.

Nunca tinha pensado nisso. Mas a tradução para o inglês me ajudou.

Está lá a indicação para o setor do aeroporto onde estão os objetos esquecidos pelos usuários:

“Perdidos e achados”.

“Lost and found”, em inglês.

Achei engraçado adotar a versão em inglês como prioritária.

Mas só então saquei e nossa inversão de valores – perdidos, ou esquecidos.

Para se achar algo é necessário que ele tenha sido perdido.

Não se acha algo que não foi perdido. Ou não se acha antes da perda. O mais lógico é a forma em inglês. Lost and found. Primeiro perdido; depois achado.

Aqui, não. Primeiro achamos o que foi perdido.

Ou, no futebol, primeiro nos achamos. E, depois, de fato, muitas vezes nos perdemos.

Não sei se é uma viagem dentro da viagem. Ou o cansaço de uma madrugada de pouco sono.

Mas quem procura acha.

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