“Palmitão” volta ao São Paulo para liderar e fazer gols

Leia o post original por blogdoboleiro

Kaká anda precisando tomar sol. O meia do São Paulo está com a pele tão branca que já ganhou um apelido. “É o Palmitão”, revelou Alexandre Pato. Afinal, o jogador formado na base do São Paulo, passou os últimos 11 anos jogando na Europa (Itália e Espanha). “Só peguei inverno”, brincou o jogador.

Aos 32 anos, Kaká volta a jogar pelo São Paulo neste domingo contra o Goiás. Para fazer a primeira partida fora do Morumbi, foi preciso a concordância do Orlando City, time dos Estados Unidos, que emprestou o jogador ao São Paulo. A estreia antecipada foi decidida junto com a comissão técnica tricolor.

“Ele fez pré-temporada enquanto a gente jogava os amistosos nos EUA. Ele está bem e num momento em que passaria do ponto de treinar sem jogar. Ele precisa jogar agora para pegar ritmo de jogo”, justificou Muricy Ramalho.

Depois do trabalho desta sexta-feira de manhã no Centro de Treinamento da Barra Funda, Kaká deixou o campo ao lado de Pato. Os dois estavam de bom astral. Kaká voltou e já está ambientado. Segundo Muricy Ramalho, ele já exerce liderança dentro de campo. “Nosso grande líder (o goleiro Rogério Ceni ) fica muito longe do time, lá no gol. O Kaká já orienta os jogadores”, disse o técnico.

Foi uma sessão intensa de treinamento. O técnico Muricy Ramalho organizou dois trabalhos em campos curtos. No primeiro, somente em uma das metades do gramado, ele dividiu os jogadores de linha em três equipes (amarela, cinza e branca) com sete atletas cada. Uma delas tinha que roubar a bola de 14 adversários cuja missão era trocar passes em dois toques.

Cada time tinha um astro. Paulo Henrique Ganso formou no cinza. Pato jogocu no amarelo. Kaká entrou no branco. Quem não tinha a bola, precisava encurtar a marcação. Quem tinha, a missão era a de envolver os sete marcadores com passes rápidos. No final desta função, Muricy ainda deu a ordem: “Agora um toque só”.

O jogo acelerou. Kaká e Ganso trabalharam mais próximos, fazendo “um-dois”. Adenilson acertou um passe de chaleira e ouviu lá do meio de campo o elogio: “Boa Adenilson”, disse Muricy. Pato, quando o grupo dele estava na marcação, deu um carrinho e mandou a bola para a lateral. Também ganhou elogios do treinador.

Na segunda parte do treinamento, o bom e velho “treino alemão” (aplicado no Brasil desde os anos 70) entrou em ação. As três equipes foram mantidas, com Rogério Ceni num gol e Denis no outro. As traves móveis foram colocadas cada uma na risca da grande área. Campo menor outra vez.

Na metade defendida por Ceni uma equipe tentava superar a outra, sempre com dois toques, e fazer os gols. O time da defesa precisava roubar a bola e leva-la até ultrapassar a linha de meio de campo. Aí ganhava o direito de respirar, enquanto a terceira equipe entrava para fazer o ataque. “É um trabalho bem intenso”, disse Rodrigo Caio ao Blog do Boleiro.

Esta atividade realizada na manhã desta sexta-feira mostrou que: 1) Kaká está bem fisicamente, mudando os lados do campo, ora na direita, ora na esquerda, na frente e mais atrás; 2) o zagueiro Rafael Tolói também mostrou que anda bem de fôlego; 3) Pato pareceu mais participativo, se deslocando bastante e ajudando na hora de marcar; 4) Maicon também mostrou animação.  

Kaká e Tolói estão escalados para om jogo no estádio Serra Dourada. Rodrigo Caio sairá da zaga e deverá ser volante ao lado de Souza. Maicon vai para a reserva. Na frente, sobrou para Osvaldo. O São Paulo deve enfrentar o Goiás com dois volantes (Caio e Souza), dois meias (Kaká e Ganso) e dois atacantes (Kardec e Ademilson).

Muricy Ramalho espera mostrar um outro jeito do São Paulo jogar. Contra a Chapecoense, no Morumbi no último sábado, o time catarinense segurou os laterais e fechou o caminho de Ademilson e Osvaldo pelas laterais do campo. “Não dá para jogar do mesmo jeito muito tempo porque hoje em dia todo mundo estuda e sabe como os adversários jogam. Usar dois meias torna mais difícil a marcação adversária”, falou o treinador na entrevista coletiva.

O treinador quer ver Kaká e Paulo Henrique Ganso chegarem na área adversária. Ele exige mais de Ganso, porque sabe que o estreante de domingo já faz esta infiltração com regularidade. Kaká melhorou o desempenho nos últimos seis meses no Milan. Muricy viu pela tevê. “A gente acompanha. Ele está muito bem. Pode ser fundamental nesta volta”, afirmou.

O Palmitão, apelido que ganhou no Tricolor, garante que está pronto para jogar. E vai encarar um estádio, o Serra Dourada, que tem um campo grande, grama fofa e normalmente recebe jogos com um clima quente. Neste domingo, a previsão é de tarde ensolarada, cerca de 27 graus, mas com possibilidade de chuva. Um tempo bem brasileiro, que Kaká não encarava há uma década.