UMA CARTA DO FUTURO

Leia o post original por K.O.N.G

Divinópolis, 25 de julho de 2033.

Hoje é aniversário de uma das maiores conquistas da história do Galo, há exatamente duas décadas. Impossível esquecer aquele apoteótico jogo diante do Olímpia. A nossa primeira Libertadores. A Libertadores do improvável. Para alguns, sorte. Para outros, competência. Para mim, as duas, pois elas caminham lado a lado. Que saudades daquela defesa do Victor contra o Tijuana! E o apagão contra o Newells? Que sufoco… Grande Guilherme! Tardelli no auge de sua performance. No ano seguinte, quando o Galo levantou sua primeira Recopa Sulamericana, a dedicação do nosso camisa 9 lhe renderia seu centésimo gol vestindo o manto sagrado. E o tento do Léo Silva, no finalzinho da decisão? Que saudades.

Nessa época, o Atlético era uma espécie de orquestra. Tinha grandes músicos, todos eles regidos por um maestro, referência no mundo do futebol. Ronaldinho Gaúcho – ou apenas Dinho, para os íntimos – chegou no alvinegro alguns anos antes, sob muita desconfiança. Lembro-me, como se fosse ontem, do momento em que ele chegou na Cidade do Galo: sem apresentações festivas, sem firulas, nem nada. Chegou, vestiu a camisa do homem de ferro e foi treinar. Tinha sangue no olho. Muito.

Ronaldinho comandou o Galo daquele ano. Não vestiu a 10. Carregou nas costas o número 49, homenagem à sua mãe, que passava por problemas. Juntos, ele, o Galo e dona Miguelina superaram tudo. Ronaldinho conseguiu trazer de volta a alegria de um povo, trouxe o espetáculo para dentro do gramado outra vez. Por muito pouco não fomos campeões brasileiros naquele ano. Em 2012, com dezenove anos, eu não conseguia descrever o que era ver Ronaldo Assis Moreira vestindo preto e branco. Era algo inacreditável. Com vinte, vi o Bruxo protagonizar a histórica Libertadores e imortalizar o grito de “Aqui é Galo”. Era 2013, o ano do Galo. Esse homem mudou definitivamente a história do clube. Após o título da Recopa, em 2014, num épico jogo contra o Lanús, o momento que temíamos havia chegado. A história de Ronaldinho no Galo havia chegado ao final. O craque saiu como um verdadeiro ídolo e guerreiro que jamais renegou a missão de defender seu grupo.

Hoje, estou com meus quarenta anos. Mesmo com todos os títulos que ganhamos depois disso, ainda me lembro daqueles anos. Bons tempos. Alguns craques vestiram a 10 depois dele, mas nenhum chegou aos pés de Ronaldinho, porque ele é inigualável. Assim como meu pai, que me contava com lágrimas nos olhos a emoção de ter visto Reinaldo e Éder Aleixo jogando no Galo, eu conto aos meus filhos sobre o sentimento de ter acompanhado a trajetória dessa lenda pelos campos de Minas e do mundo. Como esse cara foi reverenciado por onde pisou.

Depois de todos esses anos, a imagem de Ronaldinho permanece viva no coração de nós, atleticanos. E isso jamais mudará.

Obrigado por tudo, Ronaldinho. Um abraço de um eterno fã incondicional.

Daniel Resende*

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmesende