Voltas de Felipão, Luxa e Dunga indicam que cartolas não aprendem com 7 a 1

Leia o post original por Perrone

A humilhante derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha poderia ter sido o ponto de partida para o futebol brasileiro sse renovar, para os dirigentes olharem para frente, pensarem no futuro, inovarem. Mas o efeito parece ter sido o contrário. De lá para cá, o saudosismo comum aos cartolas do país parece só ter aumentado.

Dunga voltou à seleção brasileira sob o slogan de que ganhou quase tudo em sua primeira passagem. Como se a Copa do Mundo fosse só um torneio a mais.

Vanderlei Luxemburgo retornou ao Flamengo, que o resgatou do ostracismo, apostando no treinador que já teve outras três passagens pela Gávea.

Nesta terça foi a vez de o Grêmio olhar para trás e buscar Luiz Felipe Scolari. Fábio Koff, presidente gremista, deve ter mais frescos na cabeça os títulos de Felipão pelo clube na década de 90 do que a goleada de 7 a 1 aplicada pelos alemães no Brasil há menos de um mês.

A direção do Grêmio mostra falta de ousadia e criatividade para buscar alguém que represente inovação ou de coragem para manter Ederson Moreira. E, sem querer pode ter jogado o amigo Felipão numa armadilha. Afinal, voltar para a segurança de casa não é o mais recomendável para quem precisa sair de sua zona de conforto em busca de evolução. Prova disso é o fato de Scolari ser aplaudido na entrevista coletiva em sua apresentação ao Grêmio no momento em que minimizou o desastre da seleção na última Copa do Mundo.

Ao aceitar o convite, Felipão dá sinais de que reciclagem e período sabático não aparecem em seu vocabulário. Porém, certamente continuarão presentes no discurso do técnico teorias conspiratórias, inimigos mortais, união, emoção, amizade, vontade, identificação… Tudo que não funcinou com a seleção brasileira no Mundial de 2014.

O retorno de Scolari também mostra como a política ainda prevalece sobre critérios técnicos no futebol brasileiro. Sua chegada ao Grêmio soa como campanha de Koff à reeleição. Assim como a demissão de Mano Menezes, que abriu as portas para Scolari voltar à seleção, teve uma dose política. Mano havia sido colocado no cargo por Andrés Sanchez, atualmente opositor na CBF.

Do jeito em que voltar ao passado está na moda, Dunga que se cuide. Vai que a seleção começa a tropeçar, Felipão conquista um título no Grêmio e passa a ser lembrado de novo como técnico campeão do Mundo em 2002 e agora quarto colocado no Mundial de 2014, mas não pelos 7 a 1?