Rescisão milionária de Felipão vira munição contra CBF em Brasília

Leia o post original por Perrone

A rescisão contratual milionária de Luiz Felipe Scolari, hoje no Grêmio, aumentou a lista de argumentos dos parlamentares que querem criar um mecanismo de controle para as contas da CBF.

De acordo com reportagem da “Folha de S.Paulo“, o treinador recebeu ao menos R$ 4,1 milhões ao ser demitido sem justa causa. O gasto com todos os demitidos da comissão técnica após o vexame na Copa do Mundo chega a cerca de R$ 9 milhões. Nesse valor estão rescisão contratual na carteira de trabalho, multa pela demissão e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é um dos congressistas que incorporaram a alta quantia paga a Felipão à campanha por uma fiscalização nas finanças da Confederação.

“O dinheiro pra eles é uma brincadeira. O cara dá um vexame e ele a comissão técnica dele levam nove milhões pra casa. É o fracasso remunerado. A CBF faz contratos como quer. Se a gente pudesse governar o Brasil com essa facilidade de dinheiro, não haveria problema no país”, afirmou Dias ao blog.

Após o fiasco da seleção na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, ele apresentou um projeto de lei que prevê a fiscalização das finanças da Confederação Brasileira pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O senador argumenta que o futebol é patrimônio cultural brasileiro. E que, assim, os recursos originados pela seleção são públicos.

Como bem observou o leitor Marcelo Leandro em seu comentário abaixo, a constituição federal não cita o futebol como patrimônio cultural. No entanto, diz que fazem parte deste patrimônio as formas de expressão e os modos de criar, fazer e viver. 

O alto valor das rescisões, principalmente de Felipão e Carlos Alberto Parreira, é fruto do salário que a cúpula da entidade decidiu dar a seus contratados. Também segundo a “Folha de S.Paulo”, cada um ganhava cerca de R$ 600 mil, mas em junho receberam pouco mais de R$ 900 mil por conta de premiações.

Os R$ 9 milhões pagos na rescisão de todos os membros da comissão técnica representam aproximadamente 17% do lucro obtido pela CBF em 2013, que foi de cerca de R$ 55 milhões.

Os milhões gastos na demissão dos profissionais que fracassaram no Mundial embalam antiga discussão sobre a CBF ter dinheiro de sobra enquanto federações e até alguns dos grandes clubes do país estão praticamente falidos. Todos são filiados à confederação.

O blog não conseguiu falar por telefone com José Maria Marin, presidente da CBF, sobre o assunto.