Uma questão de sorte e de Martín Silva

Leia o post original por Bruno Maia

torcida

Jogos como esse com o Paraná já aconteceram vários esse ano. Ontem, os três pontos vieram porque dessa vez a bola resolveu não entrar contra nós. Tanto é que vários amigos vascaínos me descreveram da mesma forma o jogo que viram, dizendo que de tão acostumados que estamos a largar pontos bobos contra times fracos em casa, esperavam a qualquer momento sair o gol do Paraná.

Dessa vez, não saiu. Deus é mais e Martín Silva, ontem, brincou de Deus. A primeira defesa de cabeçada a queima roupa, se tivesse sido numa Copa do Mundo, seria a maior defesa de todos os tempos! Fato. O monstro uruguaio foi além e insistiu em arrancar suspiros de alívio e sorrisos de canto de boca de quem, a cada defesa milagrosa dele, agradecia por não estar vendo Diogo Silva ali.

Outro destaque do jogo foi Kléber, que finalmente chegou 100% ao Vasco. Em suas primeiras atuações, já tínhamos visto sua irregularidade habitual em campo. Agora, além dela, chegaram também a violência, desrespeito e displicência. Desde o início, o lance do pênalti foi uma síntese perfeita do que é a carreira de Kléber como jogador de futebol. Deveria ser guardado pelas TVs para ser mostrado sempre que alguém for falar da carreira dele: “olha, o Kléber era isso aqui…” A mistura de marra com displicência na hora de bater o pênalti foi ridícula.

O que mais incomoda no time de Adílson é a incapacidade de se impor durante mais de 10 minutos numa partida. É sempre um domínio frouxo, que não passa segurança nem para a torcida nem para os próprios jogadores. Ontem contra o Paraná foi assim também. Era o time melhorar um pouco, dar uma pressãozinha e já começava a se recolher, diminuir o ritmo e, quando víamos, quase gol do adversário. Fato que o time de Adílson é refém da sorte. Não consegue manter uma consistência que lhe garanta vitórias, que dê confiança. Se a cabeçada na trave, no fim do jogo, tivesse entrado, o treinador estaria novamente condenado. Passadas algumas rodadas da retomada do campeonato, vai ficando claro que a evolução do time durante a parada da Copa do Mundo foi muito abaixo da necessária. Continuamos mostrando muita fragilidade defensiva, sobretudo na subida de laterais e cruzamentos na área. A movimentação de ataque também não cria muitas oportunidades. A paciência da torcida se esvai, a tensão aumenta e cada jogo é um sofrimento.

Não ficarei surpreso se este tiver sido o último jogo dele a frente do time. Com o capeta em forma de ex-deputado vença na terça-feira, não me surpreenderia que demitir Adílson fosse uma de suas primeiras atitudes popularescas. Se Roberto Monteiro conseguir vencer, acredito que Adílson ainda dure mais algumas semanas.