Me engana que eu não gosto

Leia o post original por Mauro Beting

O Brasileirão recomeçou com padrão Fifa em campo. Fora os jogos do Cruzeiro, é um Irã x Nigéria em looping. Mas com mais faltas. Ou simulações. Ou infrações que apenas o árbitro marca – e muita gente cai na queda dos atletas. Muito passe trocado com gandula. Muita ligação direta e pouco direita. Muita gente jogando bola e poucos tentando – sem sucesso – jogar futebol.

Mais do menos que se vê até em momentos recentes de vitórias internacionais de nossos clubes e seleção. Não está um futebolixo por causa dos 1 x 7, nem só temos 171 pelos campos brasucas. A fase é braba, e seria mesmo se fosse hexa a seleção. Mas ela será ainda maior e mais dolorida para olhos e corações se os artistas-atletas não mudarem não apenas a performance. Também o repertório e o roteiro. Sobretudo o de desculpas.

Muitas vezes o torcedor tem razão (e alguma emoção) quando reclama do jornalista que enxerga um jogo diferente. Mas, agora, arquibancadas e tribunas de imprensa têm ainda mais motivos para cobrar os que estão lá dentro. Escute ou leia declarações dos atletas dos times mais pressionados do Brasil – por terem as maiores torcidas e, claro, por tabela, os maiores contigentes de membros da turma do arco-íris e da galera dos “antis”.

Lanternas rubro-negros e os alvinegros que sonham com o hexa deram “parabéns” às próprias atuações em Chapecó e Curitiba. Lamentaram o acaso no primeiro caso, a expulsão de Fagner no segundo, e, realmente, entenderam que jogaram bem. Não apenas eles. Quase todos os times que jogam pouco nos últimos tempos costumam dar “parabéns” aos companheiros pela “entrega”, “pegada” e qualquer outro termo ainda mais abstrato.

De concreto, apenas a bola de pedra lascada que têm chutado. Sob a orientação e complacência de professores muito bem pagos para dirigir algumas equipes que não merecemos ver nem de graça. Também foi assim na Copa, e antes dela, quando o Brasil só realmente “jogava bem” no discurso da comissão técnica.

Além de perna curta, ela também tem bola curta.

O BR-14, mais uma vez, será uma inglória luta de várias equipes lutando para não cair. A que melhor escapa – fora o Cruzeiro – estará na Libertadores. Um dos aqui criticados é o Corinthians que há 10 jogos não perde – e é das melhores equipes que temos, e vai lutar pelo título. Outros que aqui não estão listados, como o São Paulo que decepciona, o Grêmio que não engrena, e o Palmeiras que não vence há sete jogos, cada um com seus tantos pecados.

E todos nós expiando até chegar o ponto perdido de não querermos mais espiar nada.