Kaká e o São Paulo

Leia o post original por Mauro Beting

Nenhuma das 32 seleções na Copa atuou no 4-2-2-2 que seria a solução natural para encaixar os talentos de Kaká e Ganso. Nenhuma equipe que veio ao Brasil atuou assim. Para não dizer que nenhuma equipe que aqui esteve (e tantas que aqui jogam) têm dois armadores dessa qualidade. Ou com o potencial apresentado por Kaká na estreia em Goiás, ou com a bola que Ganso pode jogar – mas que não tem boas partidas ou sequência desde…. Desde… Enfim.

Talentos podem se ajustar desde que ajudem o time. Desde que a equipe também se ajude na recomposição e na marcação. Algo que o São Paulo ainda tem falhado muito. Ingrediente da cesta básica para que funcione uma equipe com esses talentos reunidos. Kaká mostrou no Serra Dourada parte de um repertório que pode dar a Muricy o que ele ainda não tem. Tentou recompor a marcação, ficou atento a quem buscou o ataque do lado esmeraldino. Mas ainda é pouco. Não da parte dele. E, sim, dos companheiros.

No Milan e no Real Madrid, Kaká aprendeu como acompanhar o adversário. Fazer sombra. Nos últimos meses discretos em Milão, muitas vezes atuou aberto pela esquerda, no 4-2-3-1 ou 4-1-4-1. Uma das possibilidades para o encaixe dele no Morumbi. Como o armador pela esquerda, no 4-2-3-1, pode entrar em diagonal e se aproximar de Luís Fabiano (ou Alan Kardec). Ganso seria o meia mais centralizado, até pela pouca mobilidade e incapacidade de cercar o rival. Do outro lado, Ademilson, Pato (se mostrar a vontade que teve contra o Criciúma), Osvaldo deslocado, alguém dá contundência com a bola, e consistência defensiva sem ela.

No 4-1-4-1, um volante como Souza sustenta à frente da zaga. Desse modo, Ganso e Kaká podem atuar mais centralizados, deixando pelos lados a tarefa de seguir os laterais rivais e abrir o jogo. Até Maicon pode fazer o lado esquerdo, como já fez com Ney Franco. Ou deixar o time ainda mais ofensivo, com atacantes recuados. E, claro, laterais que não saem da casinha. Ficam lá atrás. Marcando para que o time jogue.