Perdendo espaços

Leia o post original por flavioprado

AFP

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O Vinicius é um estagiário da TV Gazeta. Ama futebol e por essa razão está ao nosso lado no Departamento de Esportes. Estuda na Cásper Líbero e conversa sobre bola com os amigos o dia todo. Ele tem 20 anos. Falar de futebol é rotina, mas ela vem mudando a cada ano. Se ele se apaixonou pelo jogo por causa da família e dos nossos certames, hoje tem entusiasmo, apenas, com os  europeus. A molecada usa camisas de clubes estrangeiros, assisti os jogos deles, discute as contratações e nem mesmo se surpreende com os constantes vexames dos brasileiros, em torneios internacionais. Vinicius e tantos outros têm amigos, que não torcem para nenhum clube daqui. Ao contrário seguem o Barcelona, o Real Madrid, o Manchester United e por aí vão. Aliás, também o horário das 22 horas faz com que boa parte deles não assista, nem pela televisão, os jogos do Brasileiro no meio de semana. Já os clássicos da Champions são acompanhados com euforia no período da tarde. A noite, além da escola, há o problema de acordar cedo para trabalhar. Ficar sem dormir até meia noite, para que? A qualidade da competição da tarde já satisfaz, e muito, quem gosta de bola. E se arriscar vendo a noite, normalmente, só significam algumas horas de frustrações. Não ficarei surpreso se as pesquisas começarem a mostrar, que os clubes do exterior, estão com mais torcedores do que boa parte dos nacionais. Se somarmos todos os estrangeiros, creio que já ganharão de quase todos os times daqui. E com o detalhe de se poder andar nas ruas com as belas camisas do Porto, Arsenal, Milan, etc, sem correr risco de agressões ou morte. A decadência técnica é evidente. As audiências das transmissões incomodam. Os confrontos com europeus chegam a ser covardia pela fragilidade das nossas equipes. Estão fazendo tudo para que os jovens se habituem com o futebol estrangeiro e deixem o brasileiro, cada vez mais, em segundo plano. É uma lástima, porém não dá para discutir com os meninos. É questão de bom gosto, de se ter um mínimo de exigência de qualidade, naquilo que se vá acompanhar, diante de tantas opções melhores.