O melhor por vias tortas

Leia o post original por Bruno Maia

adilsonvasco

O adiamento da eleição do Vasco para novembro foi o melhor que poderia acontecer, pelo menos para o futebol do clube. Isso não significa que eu apóie a decisão que se tomou, pelo contrário. Assim como a enorme maioria dos vascaínos deste país, não tenho nenhuma condição de falar sobre a legalidade de um processo tão ilegal, obtuso e vergonhoso como vêm sendo as eleições vascaínas desde 2007/2008. Quem agora chora o adiamento, lembra que já foi responsável por outros tantos, quando Roberto Dinamite tentava derrubar o capeta, lá no meio da década passada. A exceção virou regra e há anos São Januário não vive um pleito democrático, em meio a tantos nomes antidemocráticos disputando cargos.

Por vias tortas, é verdade, mas volto a ter alguma nova esperança de, nesse período, vir a conhecer os candidatos – sobretudo Julio Brant, que entrou na reta final, protegido pelo grupo político que adiou as eleições. Tal qual as de seus concorrentes, a candidatura de Brant chega de um jeito errado, me gerando desconfianças desde agora. Porém, apesar disso, neste cenário ainda é a que me parece menos pior. É muito ruim desejar para o Vasco o menos pior. Torço pelo dia em que o espírito democrático voltará a ter vez nos rincões da Colina.

Mas voltando ao título e à primeira linha deste post, independente de qualquer coisa, acho que o melhor para o futebol do Vasco aconteceu pois voltou a colocar responsabilidade na mão de todo mundo que está aí. Passei meses aqui escrevendo que Adílson ser demitido era a pior coisa, pois ninguém do clube estaria interessado em cuidar bem dessa sucessão e porque nenhum treinador minimamente decente iria aceitar essa rabuda. Agora não. A diretoria vai até o final do ano e uma eventual troca de nomes já garante um horizonte um pouco melhor para quem venha assumir e responsabilidade para quem há de conduzir a troca.

Adílson respirou no último jogo, mas agora não pode mais vacilar. Ele ganhou mais tempo, mais uma chance, mas também a certeza de que a incerteza do futuro vascaíno já não o protege. Um novo tropeço nos dois próximos jogos e a chance de demissão é bem maior. Quero ainda acreditar que com esse cenário mais claro até o fim do ano, o time vai engrenar e encaminhar nosso acesso. Mais do que nunca, a bola tá contigo, Adílson!