É dia de estar presente

Leia o post original por Mauro Beting

Babbo,

Aqui na terra não andam jogando muito futebol. Não tem muito samba e nem muito rock and roll.

A Copa foi demais. Os preços, demais. Mas os apertos e apuros não foram tantos. Foi show de bola em campo e até fora dele. A Alemanha ganhou. E sei que os Beting estão felizes. Mas o Mimi de Tambaú nunca viu a gente apanhar de sete.

Seus netos viram. O Luca tava na praia e logo desistiu do jogo. O Gabi tava comigo pela primeira vez em um jogo de Copa. Quer dizer, ainda não foi desta vez.

Seus novos netinhos estavam espalhados pelo mundo. Sua linda nora manda beijos. E, posso dizer, que beijos…

Fomos ver o Palmeiras ser campeão da Euroamericana. 2 a 1 na Fiorentina. Um frioooooo no Pacaembu. Mas ficamos pra ver a festa do título. Provavelmente o único no ano. Celebramos ao lado do Carlos, filho do Julinho Botelho, que, claro, estava torcendo pela Fiorentina.

Nem sempre os filhos tomam os melhores caminhos…

Sei que também nem sempre fiz o que você queria. Seus netos, também. Mas é da vida.

Não sei como é aí em cima. Mas, por aqui, sigo pensando o que te dar no dia dos pais. Todo ano era difícil. Você é o cara que tem tudo e não pede nada. Até quando não tinha nada.

A sorte é que sempre eu tinha tudo para te presentear. O maior presente que você me deu.

Era camisa. Agasalho. Boné. Calção. Meia. Livro. Ingresso. Qualquer produto do assunto que o levou ao jornalismo. É a mim também.

Teve ano em que te dei outros presentes. Talvez mais caros. Jamais tão queridos. Teve ano em que o único presente que você ganhou de nossa paixão foi o meu.

Talvez o ano mais gostoso.

É fácil dar faixa de campeão. E pude dar muitas. Difícil é dar uma camisa nem sempre bem vestida. Que não cai bem por tanto cair mal.

Ainda bem que nunca pedimos ao papai do céu e ao meu pai que agora está no céu um título. Isso não se pede nem quando se perde a razão e a esperança.

O que você pediu e eu também já conseguimos. Filhos e netos que vestem a nossa camisa. Filhos que têm a felicidade de dar ao pai em um dia especial – como todos – a mesma camisa que eles ganharam desde a maternidade.

Sempre foi difícil saber o que te dar de dia dos pais. Ainda que sendo a coisa mais fácil te agradar e te dar Palmeiras.

Mas muito mais difícil agora é não poder te dar um beijo no dia dos pais.

A sorte é que tenho meus Luca e Gabriel para beijar e ser beijado.

E lembrar sempre uma das milhares de pessoas que me confortaram em novembro de 2012. Dizendo imaginar a dor que deveria ser perder um pai. Tão ruim quanto a dele, que se sentia desde sempre que era “um órfão de pai vivo”.

Essa é a maior dor. Pai que não reconhece filho. Filho que não conhece pai. Pais e filhos que se estranham. Pais e filhos separados. Distantes. Perdidos.

Dia dos pais é sempre seu, desde 1966. É sempre meu, a partir de 1998, e ainda mais desde 2001.

É como o nosso time. É todo dia. Aqui ou no céu. Ou no inferno.

Não é só dia de dar presente e um abraço.

É dia de estar presente, Babbo.

Como você continua estando com a gente.

Como os meus filhos seguem comigo em todo canto, em cada casa.

Como, no próximo dia dos pais, eles vão estar comigo no lugar do último passeio que nós quatro fizemos, na véspera do dia dos pais de 2012.

No Allianz Parque.

Na nossa casa.

Feliz dia, Babbo.

Os nossos dias são sempre assim só de pensar em você.