Lucas Crispim e “a boa base”

Leia o post original por Bruno Maia

crispim

Lucas Crispim vai ter sua chance de afirmação hoje contra o ABC, em Natal. Durante as entrevistas da semana, Adílson valorizou a capacidade do jovem jogador, dizendo que ele teve “uma boa base no Santos” e que já via no horizonte a possibilidade de usá-lo como meia, dados os bons fundamentos e visão de jogo do menino. Que todos já estamos acostumados a ouvir falar dos “meninos da Vila” é fato, mas esse comentário do treinador reforça a noção do trabalho de formação de atletas. Thalles é o titular da posição, veio da base do próprio Vasco e está na seleção. Nos últimos anos, o clube voltou a revelar alguns bons jogadores, que não duraram em São Januário, mas ainda assim não temos a sensação de que o trabalho de formação da base do Vasco seja tão consistente quanto o dos santistas. Talvez pela mídia que Neymar e companhia tiveram – merecidamente – ou ainda pela incapacidade nossa de manter os nossos jogadores mais tempo juntos no profissional a ponto de percebemos uma “geração vascaína”.

Numa rápida comparação entre Thalles e Crispim, vejo jogadores de perfis diferentes. Thalles é mais decisivo, vai mais em direção ao gol, precisa de menos toques na bola. Crispim tem uma condução melhor, abre pelo lado dos campos e também sabe finalizar. O primeiro é mais certeiro, o segundo mais habilidoso. Considerando a presença de Kléber, me parece que Thalles é mais complementar.

Insisto aqui que, em condição de igualdade técnica, quem vem da base do Vasco e tem contrato com o clube deve ter prioridade na escalação. Precisamos valorizar e curtir em campo jogadores com a cara do clube, com identidade. Por isso, acho interessante que Adílson tenha dado prioridade a Thalles nos últimos jogos, apesar do desempenho inconstante. Hoje, com o thallesmã fora de combate, Crispim tapa o buraco. É evidente que o melhor tem que jogar, então se o cara comer a bola, vai ser titular. São dois jovens talentos, com muito potencial, mas que ainda estão rendendo abaixo do que mostram poder. Ambos ainda estão em marcha lenta, tímidos, mas ainda tem a confiança de todos a volta. O que for mais rápido em colocar pra fora tudo que pode, vai se destacar.