ABC 1 x 2 Vasco | Respirando melhor

Leia o post original por Bruno Maia

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Seguindo nossa turnê pelos estádios da Copa – duvido que algum time do Brasil já tenha jogado em tantos estádios novos como nós -, veio nossa segunda vitória seguida e isso não significou que emplacamos no torneio. O time venceu o ABC, em Natal, por ter conseguido aproveitar duas oportunidades e não por ter se imposto, como esperamos ver nesta série B. Mais uma vez volta o sentimento que não permite nenhum vascaíno sonhar com a tranquilidade, ao mesmo tempo que dá um gostinho de confiança após duas vitórias seguidas e a perspectiva de colar no líder da competição se vencermos a terceira, na próxima terça, contra o Náutico, no Recife.

No momento, essa terceira vitória pode não vir a traduzir que o time se encontrou, mas é um ânimo fundamental para que a engrenagem vascaína pegue no tranco. Adílson segue no cargo, sem encontrar um padrão tático desde o fim do Carioca, e agora protegido pelos números recentes. Continuo com convicção de que ele é capaz de nos levar de volta à primeira divisão, mas não de que seja capaz de ser campeão ou de fazer o time jogar bem e se impôr, como a tradição da camisa cruz-maltina exige numa competição menor.

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Mais uma vez, Martín Silva nos salvou de perder pontos e, afora os lances que convertemos, não tivemos tantas chances assim. Marlon me parece a opção menos ruim para a lateral-esquerda, mas passou boa parte do jogo exposto pela fragilidade da cabeça-de-área vascaína e da nossa lentidão em reorganizar o meio-campo nos contra-ataques que sofríamos. Se na ausência da Guiñazu o time fica mais leve, essa leveza não é convertida em dinamismo nem na transição para o ataque, nem na recomposição da defesa. E aí tá o perigo. Prefiro muito mais o time com um cabeça-de-área só, mas isso é na teoria. Vendo o que vimos ontem, infelizmente mostra que ainda é necessário colocar um cão de guarda ali. Marlon acabou muito exposto e de tanto subir por ali, o ABC amarelou tanto o nosso lateral-esquerdo titular, quanto Douglas. A entrada de Henrique foi interessante, mas o garoto segue parecendo inseguro quando joga nos profissionais, diferentemente de quando estava na base. A falha no lance do pênalti pode ser mais um abalo na confiança de um menino que surgiu promissor, sofreu com contusões, sequências irregulares, foi preservado pelo clube, mas ainda não conseguiu dar a volta por cima.

Kléber finalmente desencantou em termos de gol, mas não de jogar bem. Ainda não se sabe a gravidade da contusão sofrida por ele e que o tirou no intervalo do jogo, mas pelo que ouvi na TV, a tendência é que fique fora da próxima partida. EdMito voltou a campo, mas ainda não reviveu seus melhores dias com a camisa vascaína após voltar de contusão. A depender de histórico no clube, de todos os atacantes atuais, ele é o que mais fez e poderia ter mais crédito, mas realmente tem ficado apagado. A parada de Edmílson é ser um homem que atua da meia-lua para dentro da área. Quando ele sai muito para buscar jogo, perde sua força. Mais ou menos o que acontecia com o AlecCone, em 2011/2012. Desde a entrada de Thalles no time, Edmílson perdeu o posto de homem de área do ataque vascaíno e, buscando um novo posicionamento, ainda não se encontrou e nem foi tão efetivo como em outros tempos.

A caravana vascaína segue pelo nordeste e com toda a chance de colar no Ceará. Após a trauletada que o Náutico levou no clássico pernambucano contra o Santa Cruz ontem, difícil imaginar que vão chegar cheios de disposição na terça-feira. O estrago ainda não foi curado e só nos cabe ir lá e tripudiar em cima. O simpático clube alvi-rubro vem numa draga só, desde o ano passado. Vale lembrar que, mesmo com um time horroroso, ganhamos deles na Arena Pernambuco por 3×0, em 2013. De lá pra cá, a coisa não melhorou muito pra eles e, apesar de tudo, não acho que o Vasco piorou em relação aquele time.

É a chance de chegar forte no G4 e impôr a autoridade que tem nos faltado.