Denúncia contra Andrés faz conselheiro corintiano se sentir traído

Leia o post original por Perrone

A acusação de crime fiscal contra Andrés Sanchez e mais três cartolas do Corinthians deixou em parte dos conselheiros do Corinthians o sentimento de traição.

Alegam nos bastidores que se acostumaram nos últimos anos a ouvir a diretoria retratar um cenário de maravilhas, com receitas grandiosas. Mas agora, dos mesmos personagens, como Andrés e Raul Corrêa da Silva, diretor financeiro e também citado no processo, ouvem que o clube sequer tinha dinheiro para pagar impostos e salários ao mesmo tempo. Precisava escolher entre um e outro. Preferiu não pagar tributos, principalmente imposto de renda retido na fonte, gerando uma dívida de R$ 94,3 milhões, segundo a denúncia feita à Justiça pelo Ministério Público Federal.

Roberto de Andrade, cartola que comandou o futebol corintiano, e André Luiz de Oliveira, ex-diretor administrativo, são os outros acusados.

O processo leva em conta impostos retidos na fonte, mas não pagos desde julho de 2010 (também teria ocorrido crime fiscal antes disso, mas ele já prescreveu). Nesse período, a diretoria alvinegra, capitaneada por Andrés, alardeava as maravilhas de sua administração.

“Gestão profissional e transparente consolidou o aumento de receitas em 2010 e elevou o Corinthians ao topo da lista de clubes brasileiros, motivo de orgulho e paixão para o fiel torcedor”, diz trecho do relatório de sustentabilidade apresentado pelo clube em 2010. Hoje, a sensação de parte dos conselheiros é de terem sido enganados por esses relatórios.

O mesmo documento de 2010 mostra que o clube investiu cerca de R$ 25 milhões em contratações e mais R$ 21 milhões na construção do CT Joaquim Grava em 2010. Agora, no entanto, é sabido que ao mesmo tempo, o Corinthians não repassava para o governo dinheiro retido na fonte relativo a imposto de renda de seus funcionários tão crítica era a situação financeira do alvinegro. Também no relatório de sustentabilidade está escrito que uma das ações estratégicas da direção é dividir com o torcedor a realidade e os problemas.

Procurado pelo blog, Ademir de Carvalho Benedito, presidente do Conselho Deliberativo corintiano, afirmou que o órgão não sabia sobre a situação que gerou a acusação de crime fiscal. Disse também que precisa estudar melhor o caso para saber se convocará uma reunião só para debater o tema.

Por sua vez, a oposição corintiana declara que nenhuma atitude que tome internamente será mais esclarecedora do que o trabalho da Justiça.

Andrés não fala com o blog, por isso não pôde ser ouvido. Em rede social, ele alegou que a dívida já foi parcelada por meio de um acordo.