Regressos frustrantes*

Leia o post original por Antero Greco

Santos e Grêmio passaram a semana alegre, pelo retorno de Robinho e Felipão, personagens com forte identificação com as cores locais. Ambos ergueram o astral dos times e se tornaram atração para os clássicos estaduais da rodada de ontem do Brasileiro. A doçura virou azedume, após o apito final, tanto na Vila Belmiro como no Beira-Rio. Não só pelas derrotas, mas pelo fato de os rivais – Corinthians e Inter – terem reforçado a condição de postulantes ao título de 2014.

Robinho entrou em campo com o retrospecto de não saber o que significava perder para o Corinthians. Em nenhuma das passagens anteriores havia tropeçado no mais antigo confronto entre os grandes de São Paulo. Como conforto adicional, a estatística recente era favorável à equipe dele, com nove jogos de invencibilidade contra os corintianos. O 1 a 0 mostrou como as cifras servem apenas para divertir e provocar discussões de bar, pois o valor científico é igual a zero; para tristeza dos adoradores de algarismos.

Robinho teve re-reestreia discreta. No primeiro tempo, tratou de rodar, procurou espaços, tentou acelerar o entrosamento com Thiago Ribeiro e Leandro Damião. E, acima de tudo, palpitou com os companheiros e com o juiz. Buzinou no ouvido do árbitro, para ficar no português popular e claro.

No segundo, caiu de produção, apesar da luta, até ser substituído por Geuvânio (sem brilho). Robinho poderia sair como herói da jornada, se tivesse aproveitado chance clara de gol, em vacilo da zaga corintiana que o deixou livre, na área, só para mandar para o gol. Em vez disso, com pé descalibrado, chutou de esquerda, para fora. De qualquer forma, cedo para avaliar influência e importância dele para o grupo.

O clássico não teve nada de excepcional. Ou seja, seguiu a toada da Série A, em que predominam a opção por sistemas defensivos reforçados – no caso, eram as duas defesas menos vazadas –, faltas no meio-campo e pouco atrevimento. O Corinthians não se envergonhou de deixar claro, desde o primeiro minuto, que repetiria a estratégia de visitante retraído. Dera certo até então, por que mudar àquela altura?

Nem com um a mais desde antes do intervalo a rapaziada de Mano Menezes foi à frente. (Para registro: considerei injusta a expulsão de Alison.) Só na parte final da partida, percebeu que o caminho para a vitória teria sido mais suave e que era superior ao rival. Daí, pressionou, criou duas oportunidades. Na terceira Gil definiu, de cabeça. A tática da excessiva cautela coloca o Corinthians no bloco principal. Como os resultados vêm, tudo se justifica – ao menos na cabeça de técnico e atletas. Mesmo com indícios fortes de que tem condições de jogar mais…

Nada satisfatório foi o reaparecimento de Felipão no banco do Grêmio. O treinador que pediu carinho e abraço na apresentação mudou meio time, em quatro dias de trabalho, ao sinalizar que chegou para mexer com os brios da tropa. Na largada, não passou da boa intenção. Em outro Gre-Nal nervoso, o tricolor caiu na armadilha colorada, perdeu por 2 a 0 e empacou no meio da classificação. Felipão não terá rotina fácil.

Alegria, alegria. Um filho pródigo, pelo menos, teve o que festejar. Kaká finalmente desfilou diante do público dele, no Morumbi, e ajudou na vitória do São Paulo por 3 a 1 diante do Vitória, placar construído na primeira metade do jogo. Desempenho muito bom, assim como os de Ganso, Kardec e Pato, autor de dois gols e, ao que parece, a despertar de longa letargia. O quarteto ensaia boas proezas. Não custa acreditar.

Abismo à vista. O Palmeiras pensa, age e joga como time pequeno – dentro e fora de campo –, e não é de agora. Tanto é inseguro que, depois de fazer 1 a 1 com o Atlético-MG, em BH, se deu por satisfeito com o ponto que parecia garantido. Recuou, esperou o adversário vir pra cima. Resultado: tomou 2 a 1 em cima da hora, para nos 14 pontos e tem o perfil de candidato à Série B. De novo!

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, segunda-feira, dia 11/8/2014.)