Recuo deliberado, UMA EVOLUÇÃO!

Leia o post original por Gaciba

Aproximadamente 20 anos atrás uma modificação na regra causou grande confusão. A partir daquele momento, nenhum goleiro poderia por a mão nas bolas recuadas intencionalmente por seus defensores. O susto inicial durou pouco e, ao ser colocada em prática, aquela decisão se tornou uma das mais acertadas modificações da história dos 150 anos da regra do futebol.

A partir daquele momento, o recurso de um especialista podendo pegar a bola com as mãos no momento em que um zagueiro era pressionado por um atacante sumira.

Não demorou para que o conceito de “adiantar a marcação” e “apertar a saída de bola” começasse a ser utilizado. Atacantes que outrora eram especialistas em apenas uma função tiveram que começar a evoluir suas habilidades de marcação. Goleiros começaram a trabalhar com os pés, já que a habilidade passou a ser importante para os momentos de aperto. O “balão” do goleiro é cada vez mais raro e hoje é duramente criticado quando ocorre com freqüência. O jogo ganhou em velocidade pois a “malandragem” de “matar um tempo” passando a bola para o goleiro, sumiu.

Para você que acompanha o futebol a menos de vinte anos talvez seja difícil imaginar um jogo assim. O goleiro cobrava o tiro de meta para um zagueiro na lateral da área, o zagueiro dominava a bola e, quando precisava ganhar tempo, esperava o atacante “apertar” a marcação. Quando o adversário chegava perto, um passe na mão do goleiro quebrava o galho. Essa atitude irritava quem assistia e quem jogava além de ser um absurdo desrespeito ao futebol.

Mas, você conhece bem esta lei? Ela tem sutilezas e detalhes interessantes que escapam do conhecimento de muitos.

Um primeiro detalhe para chamar a atenção é que a regra fala que se o goleiro tocar a bola com as mãos depois de ela ter sido intencionalmente passada com o pé por um jogador de sua equipe deve ser punido com um tiro livre indireto.

Você percebeu a sutileza da frase? COM O PÉ e somente com O PÉ! Ou seja, por mais intencional que seja um passe para o goleiro se este for feito de cabeça, de peito, de barriga, de joelho ou até de canela o goleiro pode pegar a bola com as mãos sem problema.

Agora, sem dar uma de esperto! Caso um atleta receba uma bola com o pé, por exemplo, e levante a mesma recuando a bola para o goleiro com a cabeça. Para tudo! ANTES de o goleiro pegar a bola com a mão, tiro livre indireto e cartão amarelo no local onde o zagueiro fez a infração por conduta inconveniente. Isso mesmo, antes do goleiro tocar na bola; neste caso a infração é do defensor e a regra prevê que independe a reação do goleiro.

Importante colocar que o passe deve ser necessariamente deliberado para o goleiro. Acidentes de domínio não impedem de o arqueiro pegar a bola com as mãos. Ontem, por exemplo, tivemos a marcação de um tiro livre indireto na partida entre Avaí e América MG que discordo da interpretação do árbitro. Para mim não houve a intenção de recuar a bola e o tiro livre indireto não deveria ser marcado. Você viu?

Outro detalhe não menos importante é o local da cobrança do tiro livre indireto. Em via de regra, a infração deve ser cobrada no local em que o goleiro toca a mão na bola. Mas não há nenhum tiro livre indireto ou bola ao chão dentro da pequena área a favor do ataque. Nestes casos (goleiro toca com a mão dentro da pequena área) a infração é cobrada em cima da linha da pequena área, paralela a linha de fundo (5,50 m) mais próxima do local da infração. Esta é a única situação em que atletas defensores podem ficar a menos de 9,15m da bola. É permitido que todos defensores fiquem em cima da linha de gol.

Não necessariamente este recuo deve ser endereçado ao goleiro. Vejam  este exemplo de uma correta interpretação quando o jogador joga claramente e intencionalmente a bola para trás de seu setor defensivo e o goleiro comete uma infração quando a segura com as mãos.

Ah, de arremesso lateral também não é permitido que o goleiro ponha a mão na bola.

O futebol merecia mais intervenções nas regras tão inteligentes quanto essa. Não é verdade?