Kardec foi herói do São Paulo e algoz do Palmeiras no clássico da crise; Fábio ficou com o papel de vilão que a arbitragem quase lhe tomou

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Palmeiras 1×2 São Paulo

Costumo dizer que o futebol e cruel.

A derrota do Palmeiras com gol justamente de Alan Kardec, após a bola bater na trave, tocar em Fábio e passar a linha só um pouco, tudo isso no fim do clássico, foi mais uma das traquinagens do esporte que já provocou raiva e explosão de alegria, alívio e dor, prazer e tristeza… em todo torcedor que realmente sente amor por um clube.

O goleiro Fábio acabou sendo um dos vilões doutro fracasso palestrino no brasileirão porque entregou ao adversário o primeiro gol.

O São Paulo pode reclamar do árbitro e de ambos os auxiliares por causa dos erros em lances importantes.

Ambos os times ficaram devendo na parte ofensiva durante o 1° tempo e na defensiva depois do intervalo, o que fez o Choque-Rei da crise de nível técnico de mediano para baixo ser emocionante nos 45 minutos finais.

Alan Kardec foi o melhor do São Paulo e Allione o destaque do Palmeiras no clássico sem grandes atuações individuais.

Com Valdívia, superior

Concordei a opção de Muricy, que escalou Paulo Miranda na lateral-direita.

O treinador não contou com nenhum jogador da posição no elenco e o zagueiro que costuma oscilar tem características defensivas para atuar na posição.

Gareca também  acertou ao escalar Valdívia entre os titulares.

O chileno tem rivalidade pessoal com Rogério Ceni e costuma se esforçar de verdade quando o enfrenta.

O meia fez a diferença nos primeiros 15 minutos, comandou o sistema ofensivo e garantiu a superioridade ao Palmeiras.

Mas se machucou logo depois e o time caiu de rendimento.

O restante do primeiro tempo foi equilibrado, ruim e chato.

Fabio mudou o jogo

O erro de reposição de bola do goleiro permitiu que Pato entrasse livre na área para marcar o gol aos seis minutos.

A vantagem do São Paulo transformou o clássico.

O Alviverde foi para cima e o adversário encontrou muitos espaços para contra-atacar.

Arbitragem prejudica o São Paulo

Três vezes o auxiliar Silbert Farias Sisquim deu impedimentos em lances claros para o time de Muricy ampliar a vantagem no placar.

Errou no de Kaká e no de Pato, e o outro foi duvidoso.

Ressalto que dois lances foram difíceis até vendo pela televisão. Apenas em um é possível criticar o bandeirinha.

O empate do Alviverde aconteceu noutro falha de arbitragem.

Felipe Menezes chutou da entrada da área e a bola bateu no braço de Edson Silva que estava colado ao corpo. O zagueiro não teve intenção ou foi negligente.

Péricles Bassols Cortez se equivocou ao soprar o pênalti.

Henrique cobrou com muita categoria, de perna esquerda, e aos 16 minutos igualou o confronto.

Estreia do Cristaldo

O Palmeiras cresceu depois do empate.

Allione, o mais criativo, deu bastante trabalho aos adversário.

Aos 24, Gareca promoveu a estreia de Cristaldo.

O colocou no lugar de Mouche, com liberdade para atacar pelos lados e manteve Henrique como centroavante.

O Alviverde investiu bastante nos passes por baixo, entre os laterais e zagueiros do São Paulo.

Quase conseguiu virada assim.

O auxiliar Rodrigo Correa que não viu o impedimento claro, simples de ser marcado, e Leandro, que havia substituído Felipe Menezes, perdeu o gol. Na sequência do lance, aos 42,  Henrique, livre, furou na hora de balançar a rede.

Kardec resolve

Muricy havia trocado Pato por Ademilson, o que permitiu ao Alan Kardec disputar os últimos minutos do jogo na posição de centroavante.

Aos 43, Alvaro Pereira cruzou, kardec subiu mais que Victor Luís e cabeceou, de maneira inteligente no canto.

O goleiro Fabio chegou um pouco atrasado, acho que tocou na bola antes de ela bater na trave e nele mesmo para ultrapassar um pouco a linha do gol.

Preciso rever para saber se o goleiro falhou.

Tenho certeza que Kardec foi muito bem no lance, fez o possível naquelas circunstâncias, e o azar acompanhou o goleiro.

Precisam melhorar

Gareca elogiou o segundo tempo do Palmeiras.

O time cometeu erros de posicionamento na parte defensiva, o que não pode ser esquecido, mas mostrou movimentação mais inteligente após a entrada de Cristaldo.

O treinador, se levar em conta o que viu no clássico, vai considerar a possibilidade de escalar Cristaldo e Henrique e mandar o argentino sair mais da área e usar os lados do gramado.

O São Paulo de novo oscilou muito durante a partida e com jogadores que sabem tratar a bola, sequer foi capaz de prendê-la na frente para tentar evitar a aproximação palmeirense da área.

O Alviverde precisava arriscar mais chutes de média distância, mas não o fez.

Muricy e Gareca ainda têm muito trabalho até seus times adquirirem mais inteligência, entrosamento e regularidade.

Ficha do jogo

Palmneiras – Fábio: Wendel, Lúcio, Tobio e Victor Luis; Marcelo Oliveira, Renato, Allione e Valdivia (Felipe Menezes que depois foi substituído por Leandro); Mouche (Cristaldo) e Henrique
Técnico: Ricardo Gareca

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Tolói, Edson Silva e Álvaro Pereira; Souza, Denílson, Ganso (Hudson), de Alan Kardec; Alexandre Pato (Ademílson)
Técnico: Muricy Ramalho

Público: 20.267 – Renda: R$ 822.057,50

Árbitro: Pericles Bassols Cortez
Auxiliares: Rodrigo F Henrique Correa e Silbert Faria Sisquim (RJ)