São Paulo faz seu melhor jogo pós-Copa do Mundo e derrota o Inter em confronto equilibrado; atitude diferente das estrelas foi fundamental na vitória

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Internacional 0×1 São Paulo

O São Paulo fez sua melhor apresentação depois da paralisação do campeonato durante a Copa do Mundo e venceu o Internacional.

O time do Morumbi foi consistente porque todos seus atletas de linha finalmente priorizaram as necessidades coletivas da equipe.

Até Alexandre Pato lutou de verdade e participou da parte defensiva.

O jogo foi muito equilibrado.

O Internacional pecou porque não aproveitou os raros erros do sistema defensivo do adversário.

O time de Muricy fez seu gol numa das poucas falhas do Colorado.

Internacional, superior

Abelão escalou Ygor e o jovem Bertotto como volantes nos lugares dos titulares que não puderam atuar.

Na frente deles, posicionou a linha de três com D’Alessandro na direita, Aránguiz do outro lado, e Alex entre eles.

O jogador mais adiantado do 4-2-3-1 foi o centroavante Rafael Moura.

O centroavante e o trio na meia começaram o jogo pressionando a saída de bola, que tem sido uma das maiores dificuldades do time de Muricy.

A estratégia correta rendeu ao Colorado o controle do meio de campo, maior presença no campo de ataque e uma infrutífera superioridade por cerca de 15 minutos.

Nenhuma chance de gol foi criada.

Corrigiu

Os zagueiros, laterais  e volantes do São Paulo tentaram fazer a saída de bola, pelo chão, da defesa ao ataque.

Não conseguiram porque o Inter marcou de maneira competente e o passe não é o forte deles.

Os laterais Paulo Miranda e Álvaro Pereira, em especial o primeiro, também têm dificuldades nisso.

No momento em que Kaká e Ganso assumiram a responsabilidade, um de cada vez recuou, de ajudar na saída de bola, o jogo ficou equilibrado.

Como um time

Muricy montou o São Paulo para marcar no 4-4-2, com Ganso na direita e Kaká na esquerda, abertos, na linha dos volantes Denílson e Hudson.

Pato e Kardec, os atacantes, se revezaram no auxílio ao quarteto.

Ao contrário do que vinha acontecendo, todos atletas são-paulinos participaram, de fato, do sistema defensivo.

Por isso, o time jogou pela primeira vez de forma consistente depois da interrupção do campeonato.

Os individualismos foram colocados abaixo dos interesses coletivos.

Até Alexandre Pato, o mais indulgente, lutou de verdade para ganhar as divididas e desarmar.

Paulo Miranda, o protagonista 

O 1° tempo foi intenso, pois os times se dedicaram muito e Grazziani Maciel Rocha adotou o estilo inglês, que permite o padrão normal do apito no futebol, diferente do modorrento adotado no Brasil, na disputa de cada lance,

O artifício do cai-cai se tornou inútil.

Os sistemas defensivos dominaram os setores de criação e houve apenas duas chances de gol, uma para cada lado.

Paulo Miranda participou delas.

Errou o passe no meio de campo e permitiu o Internacional contra-atacar com a defesa são-paulina mal-posicionada.

D’Alessandro aproveitou e tocou para Alex, na área, aos 26, usar o espaço deixado pelo lateral e finalizar apenas com Rogério Ceni à frente.

O goleiro fechou o ângulo e evitou a vantagem do adversário.

Aos 35, Paulo Miranda aproveitou o erro na saída de bola do Inter, acho que foi do Bertotto, recuperou a bola e cruzou para Kaká; Álvaro Pereira passou perto dele, recebeu a bola e cruzou.

Após o desvio da zaga, Ganso, livre, só teve o trabalho de tocá-la para o fundo das redes.

Tentou pressionar

O Internacional voltou do período de descanso com o intuito de pressionar desde o começo.

A marcação do meio-campo do São Paulo piorou um pouco e o Colorado se aproximou da área.

Aos 7, após o chite de fora da área, Rafael Moura, em posição de impedimento, viu seu gol não ser validado.

Catimbado 

Aos 17, Abelão trocou Alex, o melhor do Inter no 1° tempo, por Jorge Henrique.

O meia acabara de perder uma dividida para Alexandre Pato uma disputa de bola, o atacante fez o gol e o árbitro soprou a falta.

Pareceu cansado ou machucado.

Saiu por conta de algo que tem a ver com a condição física.

Aos 18, Kaká, no contra-ataque, perdeu a chance de ampliar a vantagem são-paulina.

Aos 26, o meia Valdívia substituiu o volante Ygor.

Abelão tentou aumentar o poder de criação do Internacional, o jovem deu trabalho, mas faltou sincronia do sistema ofensivo.

O Inter não teve a frieza necessária para raciocinar.

Os jogadores reclamaram muito do árbitro, apesar do critério ser igual para os dois times e linear.

Pediu, por exemplo, um pênalti de Denilson que dominou a bola com o ombro.

Aos 31, Ganso, após errar passe simples, saiu e Michel Bastos estreou.

Outra vez o Inter desperdiça

Aos 35, o volante Bertotto deu lugar ao atacante Wellington Paulista.

O reserva saiu do banco e foi correndo para a área porque o Internacional tinha o escanteio à favor.

O desatento sistema defensivo do São Paulo, mais especificamente os jogadores que estavam fora da área, simplesmente não marcaram o novo atleta em campo.

Wellington Paulista aproveitou, subiu junto com um companheiro contra a marcação apenas de Edson Silva e cabeceou no travessão.

Esse foi o único erro grave do time de Muricy na marcação da jogada aérea, que tem um enorme drama ao longo do torneio.

Pênalti

Pouco depois, o árbitro não deu o pênalti de Juan. O zagueiro colocou a mão na bola depois do chute de Pato.

O atacante, após fazer seu melhor jogo na temporada, saiu aos 42 e Ademílsion entrou.

O São Paulo, sob pressão na barulhenta arena do Inter, fez todo possível para gastar tempo e evitar que bola corresse.

O Internacional bombardeou a área de Rogério Ceni com cruzamentos e não conseguiu o empate.

Pediu outro pênalti inexistente na furada de Hudson.

Fabrício forçou o contato e se jogou.

Ficha do jogo

Internacional – Dida; Wellington Silva, Ernando, Juan e Fabrício; Ygor (Valdivia) e Matheus Bertotto (Wellington); D’Alessandro, Alex (Jorge Henrique) e Aránguiz; Rafael Moura
Técnico: Abel Braga.

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Edson Silva e Alvaro Pereira; Denilson, Hudson, Ganso (Michel Bastos) e Kaká; Alexandre Pato (Ademílson) e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Grazianni Maciel Rocha
Auxiliares: Dibert Pedrosa e Michael Correia
Público: 29.267 – Renda:R$ 982.625,00