Quem você dirá que foi melhor quando parar de jogar: Cristiano Ronaldo ou Messi?

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Escrevi o texto do post para a edição do Lance de 29 de março.

Como não reproduzi  no blog e Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor jogador da Europa na última temporada, decisão com qual eu concordo, aproveito para o ‘gancho’, como se diz no jornalismo, para fazê-lo agora.

Quando o madridista  e Messi encerrarem suas carreiras, a discussão que proponho aqui será recorrente, pois são os dois melhores do tempo deles, seguidos por Iniesta.

Tenho opinião formada sobre quem vence a disputa entre o argentino e o português pararem de jogar.

Ela nada tem a ver com momento.

Se eu pudesse contratar um deles para o meu time, escolheria de acordo com a temporada.

No último ano, ficaria com Cristiano Ronaldo. Aliás, se fosse levar em conta apenas esse período, optaria por Di María ao invés de Messi.

Mas não há como sequer colocar os dois hermanos no mesmo patamar.

Apenas um deles é, de fato, inexplicável.

Gênio x Máquina

Comparações no futebol às vezes são cruéis.

Jogadores dos anos 50, 60 e 70 não podem, por exemplo, ser colocados lado a lado com os de hoje.

O futebol daqueles tempos é muito diferente do atual; se trata quase de outro esporte.

As discussões precisam ser contextualizadas.

A mais interessante, faz alguns anos, tem como personagens Messi e Cristiano Ronaldo; quem é o melhor?

Disputam os mesmos torneios e são as estrelas de suas equipes.

Podem atuar em qualquer lugar do ataque ou até no meio, como os antigos pontas-de-lança, perto dos homens de frente.

Exercem a profissão de boleiro em altíssimo nível, mas de maneiras completamente distintas tanto dentro quanto fora de campo.

Gosto de falar que o argentino nasceu com o DNA dos gênios.

Seu maior desafio para brilhar aconteceu na adolescência, quando era franzino e fez tratamento para ficar comum.

Ele não tem a condição física avantajada. De aparência é só mais um baixinho em campo.

O português, ao contrário, é o androide mais perfeito e moderno até hoje criado pela ciência do futebol.

Desenvolveu ótima técnica, grande velocidade e as finalizações precisas com os ambos os pés e a cabeça.

Executa tudo com muita força e qualidade.

A máquina madridista de fazer gols é o atleta exemplar, obcecado pelo trabalho e por si mesmo, dotado da genética privilegiada que o barcelonista não possui.

Isso, ao meu ver, responde a pergunta.

O corpo é o instrumento de execução daquilo que o boleiro pensa.

O de Cristiano Ronaldo oferece bem mais possibilidades e nem assim ele fez mais que o maior adversário.

O hermano dirige o carro de passeio, o rival o da F-1, e no fim das corridas eles sempre terminam perto um do outro.

Messi transforma a competição em arte.

Intuitivo e imprevisível, carrega a bola com a classe digna dos craques do passado; brinca de fazer gols em frente aos goleiros.

Voto nele.