Luca.

Leia o post original por Mauro Beting

Você pediu para eu não te marcar no Facebook. Na minha época, nessa idade, era como pedir para o pai ou a mãe não buscar na escola. Não ficar tão perto dos amigos.

Entendo. Seu pai foi assim. Seu avô. Seu bisavô. O de todo mundo.

Seu filho vai ser assim. Meu neto.

Sua bisavó Itália Roma (e ainda perguntam o porquê de sermos palestrinos…) dizia aos seis filhos que não havia nada melhor que ser avó dos 12 netos.

Até que pintou a notícia de que você estava na barriga da mãe.

A Tata conseguiu ficar mais feliz do que dos 6 e dos 12. Não sei se vai virar 24. Opa! Aí não rola. Opa. Aí não cola. E certas coisas a gente não precisa ficar contando.

Mas a Tata contava para o mundo que mais alegre que ser mãe e mais feliz que ser avó era ser bisavó.

Assim foi até 3 de setembro de 1998. Quando você de tanto chutar e pular e grafitar a parede da sua casa materna resolveu estourar a bolsa um mês antes da hora.

“Demorou”. Você diria hoje. Mas, então, você antecipou. Mas, daí, como é desde então, vocês levou um tempão para sair. Mais de 16 horas. Até que você saiu como você é. Fazendo barulho. Reclamando. Meio roxinho. Pintado. Pintoso. Opa.

E eu não tinha visto na minha vida nada tão lindo.

A Tata que me desculpe, meus netos e bisnetos que me esperem, mas não existe nada como filho. Como filhos.

A gente devia nascer com filho.

Tem alguém melhor para brincar? Ficar. Tocar. Cuidar. Curtir. Amar. Todos os verbos.

Fico triste pelos que não têm. Pelos que perderam, não tenho palavras.

Mas pelos que Deus me deu, tenho ainda menos palavras.

Talvez gestos. Mas, nesta idade sua, os meus gestos de pai e de amor nem sempre são compreendidos. Nem sempre são certos. E até são mesmo errados. Exagerados. Ausentes. Ou presentes demais.

Não sei. Não é fácil ser pai.

Mas seria insuportável não ser pai.

Mais triste ainda seria não ser pai de um cara bacana. Amigo. Obstinado. Brisado. Baterista. Ousado. Louco. Goleiro. Skatista. Moderno. Desbocado. Atirado. Ansioso. Irritadiço. Palmeirense. Pinheirense. Teimoso. Companheiro. Parceiro. Animado. Apaixonado. Da hora. Da rua. Do muro. Tudo de bom. E um pouco de não tão bom, que ninguém é perfeit…

Não.

Filho é perfe…

Não.

Luca Beting é perfeito.

É meu.

Não digo que tenho orgulho dele, que orgulho é meio egoísta. Individualista.

E meu Luca é de todo mundo. É coletivo. É de todos. É pra todos. É por todos. É porco.

Luca, eu não iria te marcar aqui.

Mas você marca toda a minha vida.

Você é a minha vida. Da sua família que ficou ainda maior. Só pra ter mais gente para te amar. E te cuidar.

Nem sempre consigo te cuidar. Estar perto.

Mas te amar é fácil.

Basta te olhar na foto.

Não por você ser parecido comigo, claro.

Mas por você ser a cara da alegria do seu pai. Por você ser o amor que todo pai tem pelo filho.

Embora não haja pai que tenha filhos como eu tenho.

Não haja amor tão amável quanto esse que agora faz 16 anos.

Sweet sixteen.

Era para eu estar ficando velho.

Aliãs, fiquei ontem.

Mas, hoje, eu fiquei mais feliz.

Como fico há 16 anos

Obrigado, Luca
Parabéns, Mauro