Racismo no futebol: Vasco deveria liderar mudanças

Leia o post original por Bruno Maia

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Novamente, o futebol fica atrás do racismo. Fora tudo que já se falou, o que mais me chamou a atenção no episódio da Arena do Grêmio foi que três dos debilóides ignorantes que confundiram os bichos e chamaram o Aranha de Macaco, fazendo gestos e simulando os sons dos primatas na direção do goleiro santista, o fizeram ao lado de um galalau de mais metros de altura, negro como o atleta ofendido. Este torcedor gremista, tão vítima quanto o goleiro, era três vezes maior do que anões enlouquecidos ao seu lado. Ele via e ouvia tudo aquilo sem se indignar.

O que explica isso é o fato do camarada ali já estar mais do que acostumado a ser tratado assim – o que só agrava mais a situação e a torna mais sofrida. Está na hora de torcedores, que virem este tipo de demência acontecendo num estádio, se levantarem e serem os primeiros a defender os atletas negros. O futebol não está descolado da realidade. Não existe crime esportivo nenhum em se chamar um negro de macaco. Existe um crime cívil, o que é muito mais sério, grave e importante. O camarada tem que ser preso, onde quer que esteja. Assim como ao se ver um assalto na rua, grita-se “ladrão”, e por vezes até corremos para ajudar a pegar o criminoso, também é preciso apontar os dedos na hora para o racista. Pegar em flagrante e acabar com aquilo na hora.

Como vascaíno, sempre vou achar esse assunto mais grave e prioritário do que qualquer outro, ainda mais quando se relacionar ao futebol. A cada episódio destes, mais orgulho sinto da história do meu clube. Se houvesse lideranças reais a frente do Vasco hoje, caberia a elas tomar a posição de comandar medidas mais severas quanto a este assunto. A passividade com que todos os dirigentes, de todos os clubes, assistem a isso, só se manifestando quando se vêem ameaçados, é sintomática da falta de vontade de se mudar o cenário atual. Mas como sabemos, os nossos diretores estão dentro do mesmo saco podre que os demais.