Vasco 0 x 5 Avaí | Acabou para Adílson

Leia o post original por Bruno Maia

18h57: ATUALIZAÇÃO: ADÍLSON BATISTA NÃO É MAIS TÉCNICO DO VASCO. O texto abaixo foi escrito imediatamente após a derrota e antes do anúncio da saída do treinador.

Comentário: No comunicado sobre a demissão, Rodrigo Caetano disse que o ambiente externo fez mais uma vítima e culpou a pressão da torcida e disse não saber se tomou a decisão certa. Isso é covardia. Quem fez a vítima foi o AMBIENTE INTERNO do clube. Não o externo. Além do mais, Rodrigo Caetano é pago para ser o executivo de futebol. Se não tem convicção do que está fazendo, não deveria tomar tal atitude. Se toma atitudes sem convicção, não deveria ser executivo. Transferir a responsabilidade numa hora dessa é patético.

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Nem 1×1, muito menos vitória. Adílson hoje inventou mais uma: tomar de 5×0 em São Januário. Depois do que se viu em campo hoje e da situação do clube ao fim do primeiro turno da série B, fora do G-4, não há mais condições, nem atenuantes para a manutenção do treinador.

Daqui a pouco começará a entrevista coletiva e provavelmente ele irá atribuir aos desfalques do time grande parte da responsabilidade pelo resultado. Desta vez, não é verdade. Adílson teve, sim, muitos contratempos para escalar sua equipe ao longo do campeonato, mas chegou ao fim do primeiro turno completamente perdido, deixando o torcedor maluco com tantas invencionices, com um time confuso e inseguro. A opção por deixar Rodrigo no banco foi inexplicável. O zagueiro está longe de ser uma sumidade, mas já está claro há muito tempo que ele tem que jogar. Sobretudo com a ausência de Guiñazu e com tantos desfalques já sabidos. Sem Rodrigo, a defesa fica ainda mais insegura e vira uma mãe nas bolas aéreas. Quem não lembra o lance em que ele se machucou, na última bola do campeonato estadual e no que deu sua ausência na área? Hoje, Douglas Silva e Luan bateram cabeça o jogo todo, erraram posição, nunca chegavam a tempo de fazer a cobertura um do outro. O sistema defensivo do Vasco com o horroroso, pavoroso, amador, André Rocha, pela lateral direita e o menino Lorran se tornava mais do que uma avenida, era um verdadeiro complexo viário de alto fluxo o tempo inteiro.

Como disse mais cedo, a entrada de Lorran já se anunciava como mais uma invenção de Adílson, e foi. Até hoje, ele não conseguiu resolver a lateral esquerda, nem a direita e, quando pareceu achar um time há cerca de duas semanas, começou a mexer e zonear tudo. Pouco a pouco, jogo a jogo, substituição a substituição. Mais uma das loucuras que o treinador vem se dispondo a fazer foi a entrada de Rafael Vaz no lugar do horroroso, pavoroso, amador, André Rocha, quando o time tomou o terceiro gol. Voltar com o zagueiro que já demonstrou inúmeras vezes não ter condição técnica de atuar foi a cartada final de sua sandice. Ao botar o zagueiro-louco e jogar Luan para a lateral direita, veio o resultado: na primeira bola, Rafael Vaz pixotou, em seguida tomou uma bola nas costas, deixando Douglas Silva sozinho contra o ataque catarinense. Douglas Silva, por sua vez, na hora de afastar a bola dento da pequena área, conseguiu chutar em cima de um adversário, que no rebote, fez o quarto gol. Não bastasse, para assinar a sentença condenatória de Adílson, minutos depois, no campo de ataque, Luan vai para a bola com as travas na altura do joelho do lateral-esquerdo adversário e é expulso. Mais alguns minutos e 5×0.

Ou seja, não é só pelos desfalques. Adílson chega ao fim do turno com uma atuação lamentável. Fora do G-4, torna-se incontestável seu fraco rendimento e incapacidade de fazer a equipe decolar. Muitos aqui acham que eu defendia o trabalho dele, quando dizia que acreditava na subida para a primeira divisão ou quando afirmava que era ruim com ele, pior sem ele. Não, nunca o defendi. Sempre achei mediano e questionável. Porém, naquele momento político do clube, me parecia dos males o menor. Agora não: ainda faltam meses para as eleições, o time apresentou sua pior semana do ano, há alguns nomes no mercado (que se não são tampouco gênios, também não ficam pra trás em relação a Adílson) e temos um atestado inconteste desta incapacidade olhando para a tabela. Adílson jogou contra todos os times da série B. Já teve reforços, entrou em campo com times completos, com desfalques, com gente da base, com jogadores de fora, jogando em casa, no nordeste, com portões fechados… Enfim, sob todos os cenários, Adílson não encontrou solução para o elenco atual e precisa ser imediatamente substituído.

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A torcida do Vasco teve, mais uma vez, atitude exemplar. Compareceu, apoiou o time, cantou mesmo quando estava sendo goleado. Pressionou seus jogadores para que rendessem mais. Virou as costas em protesto, gritou olé para o outro time e fez tudo que uma grande torcida tem que fazer, da forma que tem que fazer. Criticou Douglas após a perda do pênalti e, dentro da arquibancada, registrou sua vontade de ver Adílson Batista fora do comando do clube. Recado dado por quem, mais do que ninguém, sofre e não é de hoje pelo que fazem com o time de São Januário.